França coloca “presente e o futuro do Sahara na soberania marroquina”

A França considera que “o presente e o futuro do Sahara estão inseridos na soberania marroquina”, segundo um despacho de quinta-feira, 21 de Maio, da Agência de Imprensa Marroquina (MAP) consultado pelo jornal Redactor.

A posição foi expressa na quarta-feira, em Rabat, pelo ministro francês para a Europa e os Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, após conversações com o seu homólogo marroquino, Nasser Bourita.

A questão do Sahara Ocidental remonta à década de 1970, quando Espanha, então potência colonial, se retirou do território. Em 1975, Marrocos e a Mauritânia ocuparam a região, numa divisão contestada pela Frente Polisário, movimento independentista que proclamou a República Árabe Saaraui Democrática (RASD) e iniciou uma luta armada pela autodeterminação.

A Mauritânia abandonaria posteriormente as suas pretensões em 1979, enquanto Marrocos consolidou o controlo sobre a maior parte do território, cenário que persiste até hoje.

Apesar de um cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas em 1991, o referendo de autodeterminação previsto nunca se concretizou, mantendo o conflito em estado latente.

Neste contexto, Barrot sublinhou a importância estratégica da questão para França e para a estabilidade regional, recordando a posição expressa pelo Presidente Emmanuel Macron, numa carta dirigida ao Rei Mohammed VI, em Julho de 2024, segundo a qual “o presente e o futuro deste território estão inseridos na soberania marroquina”.

O chefe da diplomacia francesa reafirmou ainda o apoio de Paris ao plano de autonomia proposto por Rabat, considerando-o “a única base para uma solução política justa, duradoura e negociada”.

O ministro acrescentou que a Resolução 2797 do Conselho de Segurança das Nações Unidas se insere nesta abordagem, destacando o que descreveu como um momento positivo, marcado pelo retomar das conversações entre as partes envolvidas.

No plano prático, Barrot referiu que a França tem vindo a reforçar a sua presença no território, com a abertura de um centro de vistos, a criação de uma Aliança Francesa em Laayoune e a inauguração de uma nova escola. Na vertente económica, destacou o envolvimento de empresas francesas e o apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento em projectos na região.

©Redactor

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