Moçambique e Argélia reforçam cooperação no campo energética
O Governo da Argélia iniciou negociações com Moçambique para a eventual instalação de uma central eléctrica com capacidade de 1.000 megawatts (MW), num movimento que reforça a cooperação energética entre os dois países africanos.
A informação foi avançada pelo ministro argelino da Energia e das Energias Renováveis, Murad Ajal, após um encontro realizado em Argel com uma delegação moçambicana de alto nível, composta por responsáveis governamentais e especialistas do sector energético.
Segundo um comunicado oficial do ministério argelino, o projecto enquadra-se na estratégia de Argel de reforçar a sua presença no continente africano, promovendo parcerias estruturantes e aprofundando a cooperação com países africanos, particularmente no domínio energético.
Durante as conversações, as duas partes analisaram várias áreas de colaboração bilateral, com destaque para a implementação de uma central eléctrica em território moçambicano, sustentada na experiência técnica acumulada pela Argélia neste sector.
O governante argelino destacou ainda a capacidade industrial do seu país na produção de equipamentos e infraestruturas eléctricas, sobretudo nos segmentos de média e alta tensão.
O projecto, a concretizar-se, poderá não apenas reforçar a capacidade de geração de energia em Moçambique, mas também posicionar o país como um potencial exportador regional de eletricidade, com possibilidade de fornecimento a até seis países vizinhos.
Actualmente, Moçambique tem na barragem de Cahora Bassa a sua principal fonte de produção eléctrica, responsável por mais de 80% da capacidade instalada nacional, estimada em 2.075 MW.
Cooperação Moçambique–Argélia
As relações entre Moçambique e Argélia remontam ao período pós-independência, tendo sido marcadas por solidariedade política e apoio mútuo no contexto dos movimentos de libertação africanos.
No início da década de 60 do Século passado a Argélia disponibilizou os seus campos de treino militar para preparar os primeiros guerrilheiros da Frente de Libertacao de Moçambique – Samora Moisés Machel incluído —, que depois foram infiltrados em território moçambicano a partir da Tanzânia para combater a presença colonial portuguesa.
A Argélia foi um dos países que apoiou a luta de libertação moçambicana, estabelecendo desde cedo laços diplomáticos sólidos após a independência de Moçambique em 1975.
Ao longo das últimas décadas, a cooperação bilateral tem-se desenvolvido de forma gradual, incidindo sobretudo nas áreas política, diplomática e de formação técnica.
Mais recentemente, os dois países têm procurado dinamizar a vertente económica da parceria, com enfoque em setores estratégicos como energia, recursos naturais e capacitação técnica.
A actual iniciativa no domínio energético surge, assim, como um passo significativo na revitalização das relações bilaterais, refletindo uma aposta comum no fortalecimento da cooperação Sul-Sul e na integração energética do continente africano.
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