Inhambane recebeu seis dos 100 “veículos mistos da discórdia”

O Governo moçambicano entregou, esta quinta-feira, seis dos “veículos mistos da discórdia” a quatro distritos da província de Inhambane, Sul de Mocambique, numa iniciativa que pode reacender as críticas sobre a gestão de meios do Estado e a falta de transparência na definição de prioridades de investimento em zonas rurais.

Os meios circulantes foram distribuídos aos distritos de Mabote, Funhalouro, Panda e Govuro pelo governador provincial de Inhambane, Francisco Pagula, que apresentou a medida como um passo para reforçar a mobilidade de pessoas e bens, melhorar o escoamento da produção agrícola e impulsionar o desenvolvimento económico das comunidades rurais.

“A entrega destes veículos pretende garantir a mobilidade das populações em zonas onde o acesso continua a ser um grande desafio”, disse Pagula no acto de entrega, apelando ao uso responsável dos meios.

“Cuidem destes meios como se fossem vossos, para que durem muitos anos e continuem a servir quem mais precisa”, afirmou o governante.

A iniciativa é promovida pelo Governo central e enquadra-se num esforço de reforço da capacidade de resposta das administrações distritais e de aproximação dos serviços públicos às populações das áreas mais isoladas, onde o transporte público continua escasso e frequentemente inseguro.

A aquisição destes veículos — 100 tractores com atrelados para transporte de pessoas e carga — tem estado a gerar debates animados em Moçambique, com alguns sectores a alegarem que os mesmos são “desumanos”, com o Executivo a argumentar que os mesmos são adequados em áreas onde não há condições para a circulação de autocarros clássicos para o transporte de pessoas e bens.

Outro dos detalhes envolto em zonas de penumbra é o custo alegado oficialmente para a aquisição dos equipamentos, em 2025, em algumas esferas considerado “exageradamente exorbitante” — 6.500.000 MZN cada tractor e respectivo atrelado.

Em relação aos elevados custos dos referidos tractores, João Matlombe, o Ministro dos Transportes e Logística explicou que não encontra razões para críticas pois os mesmos incluem a manutenção por cinco anos.

©Redactor

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