Jovens moçambicanos entre os mais pessimistas de África

Jovens moçambicanos figuram entre os mais pessimistas de África quanto à trajectória de Moçambique e sua economia, segundo o African Youth Survey 2026, estudo divulgado no dia 11 deste mês, horas antes do Dia Internacional da Juventude, assinalado em 12 de Agosto.

O estudo foi encomendando pela Ichikowitz Family Foundation e realizando pela PSB Insights, com 4.901 entrevistas presenciais a jovens de 18 a 24 anos de idade em 17 países africanos, incluindo Moçambique.

Em Moçambique, 85% dos inquiridos consideram que o país segue na direcção errada, a percentagem mais elevada entre os países analisados nesta edição, enquanto apenas 14% entendem que a economia nacional está no rumo certo.

Moçambique surge igualmente entre as praças com menor nível de optimismo em relação ao futuro, com apenas 19% dos jovens a dizerem sentir-se optimistas ou entusiasmados com os próximos anos.

O inquérito indica ainda que 36% dos jovens moçambicanos apontam a instabilidade política como um acontecimento com maior impacto nos últimos cinco anos, uma das percentagens mais altas do estudo neste indicador. Outros 20% referem as mortes por doenças infecciosas como o principal factor de impacto recente.

Nas prioridades para o progresso do continente, 31% dos jovens moçambicanos apontam a redução da corrupção governativa como objectivo principal, enquanto 26% destacam a paz e a estabilidade em África.

No campo das alianças externas, o relatório assinala que jovens de Moçambique tendem a privilegiar parecerias eficazes, capazes de entregar benefícios concretos, sem abdicar de uma postura de neutralidade.

Os dados do estudo mostram também que Moçambique está entre os países onde a confiança nas áreas de segurança é mais fraca. O relatório refere que embora sete em cada 10 jovens africanos digam sentir-se seguros no respectivo país, a confiança cai acentuadamente em países como Moçambique e Chade.

Jovens zambianos optimistas

Já na vizinha Zâmbia, por exemplo, o retrato é inverso.

Segundo dados divulgados pela Ichikowitz Family Foundation e reproduzidas no texto-base sobre o país, 55% dos jovens zambianos afirmam que a Zâmbia segue em direcção certa, acima dos 23% registado em 2024 e dos 10% em 2022, enquanto a mesma proporção entende que a economia nacional está igualmente no rumo certo, face a 17% em 2024.

A Zâmbia aparece ainda entre os países com maior recuperação de confiança desde a edição anterior do inquérito.  O relatório continental refere que o país registou uma subida de 32 pontos percentuais na percepção positiva sobre a direcção nacional entre 2024 e 2026, ao mesmo tempo que a preocupação com a falta de emprego caiu 41 pontos.

No plano pessoal, 59% dos jovens a menos dizem se sentir optimistas ou entusiasmados com o futuro do país. O texto sobre a Zâmbia acrescenta que 92% afirmam sentir-se seguros actualmente no país e 83 dizem preferir sempre a democracia a qualquer outra forma de governo.

O African Youth Survey 2026 abrangeu entrevistas realizadas em Março deste ano em Moçambique, Burkina Faso, Chade, Congo Brazaville, República Democrática do Congo, Etiópia, Ghana, Quénia, Libéria, Nigéria, Ruanda, Somália, África do Sul, Togo, Zâmbia e Zimbabwe.

Segundo os organizadores, o estudo procura captar as percepções, experiências e ambições de uma geração confrontada com pressões económicas, insegurança e transformações política no continente.

©Redactor

Este artigo intitulado foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 13 de Julho de 2026.

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