Prometer não é governar — REFINALDO CHILENGUE

A questão das vias rodoviárias em Moçambique, com destaque para a Estrada Nacional Número 1 (EN1), tornou-se um espelho desconfortável das relações entre governantes e governados. Ao longo dos últimos anos, a principal artéria do país foi-se degradando perante os olhos de todos, enquanto o discurso oficial se mantinha preso a ciclos de promessas estudos e “planos em elaboração”.

Esta semana o ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, voltou a apresentar novas promessas de reabilitação da EN1. O problema já não é apenas a falta de execução das recorrentemente prometidas obras; é a erosão da credibilidade política. Quando um governante, após sucessivas promessas não cumpridas, regressa com novos compromissos, sem assumir com transparência, as razões do fracasso anterior, o que comunica, na prática, é que a palavra do Executivo vale pouco. Reitera-se o ritual da promessa, sem se alterar o padrão da execução.

Numa sociedade que enfrenta custos económicos e humanos elevadíssimos devido ao estado da EN1 — acidentes, tempo de deslocação acrescido, encarecimento do transporte de pessoas e mercadorias, isolamento de comunidades — insistir em promessas vagas é quase um exercício de desrespeito institucional. Se há condições financeiras, técnicas e políticas para intervir, o imperativo é agir. Se não há, o dever é informar, com rigor, quais são os constrangimentos e quais as alternativas em discussão, ao invés de, como diz a tia Lúcia, “prometer, toda a hora, nos fazendo de crianças ou mentecaptos”.

A política de mobilidade não pode continuar a ser conduzida como um exercício de marketing governamental. Mais do que anúncios, o país precisa de cronogramas públicos, contratos transparentes, fiscalização cidadã e responsabilização por incumprimento. A EN1 (Redactor N° 7358, pág. 6) é hoje menos um problema de engenharia e mais um teste à qualidade da governação que nos é oferecida. Prometer sem cumprir já não é apenas um problema de estradas; é um problema de confiança democrática, porque prometer não é governar.

A MINTHIRU IVULA VULA KUTLHULA MARITO! Os actos valem mais que as palavras! Digo/escrevo isto porque ainda creio que, como em anteriores desafios, Moçambique triunfará e permanecerá, eternamente.

REFINALDO CHILENGUE

Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 13 de Agosto de 2026, na rubrica TIKU 15.

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