A arrogância não tem idade— REFINALDO CHILENGUE

Daniel Francisco Chapo lançou um aviso claro às manifestações desviantes, com destaque para a arrogância, corrupção, lambe-botismo, distanciamento e indecoro que ainda persistem no seio do partido Frelimo.

Ao apelar a um partido mais próximo do povo, o chefe dos “camaradas” identificou um dos problemas mais sensíveis de uma força política cuja razão de existir sempre foi apresentada como inseparável das massas.

Mas entre o discurso e a prática há uma distância que não se elimina com palavras de ordem, nem apenas com alterações na composição dos órgãos partidários.

Nos últimos tempos, têm-se multiplicado vozes que defendem o rejuvenescimento das estruturas do partido Frelimo, sob o argumento de que estas estariam demasiado preenchidas por “velhos”. A proposta, em si, pode ser legítima: qualquer organização precisa de renovar ideias, incorporar novas gerações, abrir espaço ao mérito e preparar as suas futuras lideranças.

O problema começa quando que se confunde juventude biológica com renovação moral, política e comportamental. Ser jovem não é automaticamente ser humilde, acessível, competente ou comprometido com um cidadão. Da mesma forma, ter mais idade não significa ser resistente à mudança, avesso à modernização ou incapaz de ouvir.

A sessão do Comité Central do partido Frelimo realizada no dia 26 deste Agosto ofereceu um pequeno, mas expressivo retrato desta contradição. Antes do início dos trabalhos, uma antiga integrante do Governo central pertencente à geração jovem dos quadros do partido Frelimo ignorou, ostensivamente, uma saudação e uma tentativa de entrevista de um jornalista que cobria o evento. Pouco depois, um antigo governante e actual deputado, Raimundo Diomba, de geração mais velha, correspondeu à saudação com cordialidade e aceitou responder às questões colocadas pelo escriba, demonstrando a disponibilidade que se espera de um servidor público e dirigente político.

Não se trata de transformar um gesto isolado numa sentença definitiva sobre pessoas, mas episódios desta natureza são reveladores: mostram que a arrogância não tem idade, que a educação não depende da geração e que a proximidade com o povo não se mede pelo ano de nascimento.

A imprensa não é inimiga dos dirigentes. Pelo contrário. É uma ponte entre as instituições, os partidos e os cidadãos. Um político que ignora um jornalista em pleno exercício de funções não está apenas a recusar uma pergunta: pode estar a transmitir a ideia de que não presta contas, não deve explicações ou não conhece o papel público da comunicação social.

Num país que precisa de instituições mais abertas e de uma política mais humanizada, esta postura é particularmente preocupante.

Se Daniel Chapo pretende, de facto, devolver ao partido Frelimo a imagem de uma organização de massas, a mudança terá de ser mais profunda do que a substituição de nomes ou faixas etárias nos órgãos dirigentes. Será necessário promover uma cultura de humildade, respeito, escuta e prestação de contas. Será preciso que os dirigentes compreendam que o poder não é privilégio para exibir, mas uma responsabilidade para exercer.

A questão, portanto, não é saber quem é velho ou jovem. A pergunta essencial é outra: quem está disposto a servir, a ouvir e a saber lidar com o cidadão – e também o jornalista – com dignidade?

Porque, na política, envelhece primeiro não quem soma mais anos de vida, mas quem deixa de ouvir e respeitar o povo.

A MINTHIRU IVULA VULA KUTLHULA MARITO! Os actos valem mais que as palavras! Digo/escrevo isto porque ainda creio que, como em anteriores desafios, Moçambique triunfará e permanecerá, eternamente.

©REFINALDO CHILENGUE

Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 28 de Agosto de 2026, na rubrica TIKU 15.

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