Universidade Politécnica promove debate sobre inovação e sustentabilidade na Engenharia

A Universidade Politécnica promoveu, quarta-feira, 9 de Setembro, no Campus de Maputo, uma mesa-redonda com o objectivo de reflectir sobre os desafios que se colocam à engenharia em Moçambique, particularmente nos domínios das infra-estruturas, energia, ambiente, indústria e transformação tecnológica, e sobre a forma de os converter em oportunidades para a concepção de soluções inovadoras e sustentáveis, capazes de contribuir para o desenvolvimento socioeconómico do País.

Subordinado ao lema “Inovação e Sustentabilidade na Engenharia em Moçambique – Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Socioeconómico Nacional”, o encontro analisou o papel da engenharia na procura de respostas para as necessidades do País, bem como a importância de se desenvolverem soluções ajustadas à realidade moçambicana.

A sessão reuniu académicos, especialistas, profissionais e estudantes da área, que partilharam perspectivas sobre inovação tecnológica, sustentabilidade, formação de engenheiros e a necessidade de uma maior aproximação entre a academia, o sector produtivo e a sociedade.

Conforme explicou a directora de Bibliotecas, Documentação e Publicação da Universidade Politécnica, Maria Verónica Nhamona Sitoe, a realização da mesa-redonda partiu da necessidade de criar um espaço de diálogo e partilha de conhecimento sobre matérias consideradas determinantes para o desenvolvimento do País.

O encontro procurou igualmente incentivar estudantes e jovens profissionais de engenharia a encararem os desafios nacionais como oportunidades para pensar e desenvolver respostas inovadoras e sustentáveis.

“Pretendemos criar, conjuntamente, um espaço de reflexão, diálogo e partilha de conhecimento em torno de uma questão que consideramos fundamental para o desenvolvimento do nosso País, que é a inovação e a sustentabilidade na engenharia e o seu contributo para o desenvolvimento socioeconómico nacional. Queremos colocar a informação científica e o conhecimento ao serviço da reflexão sobre os desafios de Moçambique”, afirmou Maria Verónica Nhamona Sitoe.

Durante a mesa-redonda, os intervenientes analisaram o contributo que a engenharia pode dar na procura de respostas para alguns dos principais desafios nacionais, com incidência nas áreas de infra-estruturas, energia, ambiente, indústria e transformação tecnológica.

Na ocasião, a engenheira Velmide Fumbuja, cuja intervenção incidiu sobre o sector energético, apontou a localização de Moçambique e a sua ligação com os países da região como factores que podem favorecer a compra, venda e integração de energia no mercado regional.

“O País apresenta igualmente condições para explorar diferentes fontes de produção, com destaque para energia hídrica, solar, biomassa e gás, o que representa uma oportunidade para aumentar a capacidade de geração e responder às necessidades do processo de industrialização. Entretanto, um dos principais constrangimentos continua a ser a dependência externa na aquisição de equipamentos e tecnologias utilizados na construção de centrais e infra-estruturas energéticas”, disse.

Por sua vez, o ambientalista Carlos Serra, que também integrou o painel, alertou para os desafios que as mudanças climáticas colocam à engenharia, numa altura em que os fenómenos extremos se tornam mais frequentes, intensos e destrutivos. Neste contexto, chamou à atenção para a necessidade de se reflectir sobre a capacidade das infra-estruturas construídas no País de resistirem às novas condições climáticas.

Para o ambientalista, a procura de respostas para estes desafios deve começar também no meio académico, onde a investigação pode assumir um papel relevante na produção de conhecimento e de soluções aplicáveis à realidade nacional.

“Os nossos trabalhos, as nossas monografias, devem trazer também inovação. Devem trazer, de facto, engenho. A engenharia não é um fim. É uma ferramenta, é um meio”, concluiu.

©Redactor

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