Panelas de barro perdem terreno em Moçambique

Tal como sucede em outras partes de Moçambique, na cidade de Nampula, capital da província nortenha moçambicana com o mesmo nome, as panelas de barro, que durante séculos fizeram parte da vida quotidiana das famílias, estão a perder espaço para as panelas de alumínio e outros utensílios modernos.

A mudança preocupa Basílio Colete (foto no meio do artigo), vendedor destes artigos há mais de cinco anos, que teme que a tradição de cozinhar em recipientes de barro acabe esquecida pelas novas gerações e desconhecidas pelas próximas, salvo em documentos e/ou em museus.
No seu local de venda, o comerciante acompanha esta transformação nos hábitos das famílias. Segundo conta, as pessoas que procuram actualmente panelas de barro fazem-no, em muitos casos, para conservar medicamentos tradicionais ou para fins ritualísticos, ao contrário do passado, em que estes utensílios eram utilizados diariamente na preparação de alimentos.

“Eu quero recordar às pessoas que, nos tempos passados, os nossos avôs usavam as panelas de barro para cozinhar. Tínhamos frigideiras de barro, copos de barro, entre outros utensílios fabricados com estes materiais, e era uma das formas também de valorizar a nossa arte local”, afirmou Basílio Colete.
Para o vendedor, a redução do uso destes recipientes representa uma mudança que vai para além das cozinhas. As panelas de barro fazem parte dos conhecimentos e costumes transmitidos de geração em geração, sendo também uma expressão da criatividade e da arte das comunidades.
Antigamente, estes utensílios serviam para preparar refeições, conservar água e realizar outras actividades domésticas. Hoje, com a crescente utilização de panelas de alumínio e de outros recipientes modernos, essa prática tradicional perde espaço no quotidiano das famílias.
Apesar da mudança, Colete acredita que ainda é possível despertar o interesse das novas gerações pela utilização das panelas de barro. Para isso, considera importante que a população reconheça o valor cultural destes utensílios e o trabalho artesanal envolvido na sua produção.

Apesar da menor procura para cozinhar, as panelas de barro continuam a ter compradores na capital provincial. Além dos clientes que as adquirem para guardar medicamentos tradicionais ou para fins rituais, há quem as procure para colocar água em mesquitas e residências, mantendo algumas das suas utilizações tradicionais.

Colete acredita, por isso, que ainda é possível despertar o interesse dos mais novos por estes artigos, valorizando tanto a sua função como o trabalho dos artesãos que os produzem.

“Voltar ao passado será difícil, mas é importante lembrar que a nossa cultura e arte não podem morrer”, afirmou.
Mesmo com a diminuição da procura para a confecção de alimentos, as panelas de barro continuam a ter compradores na cidade de Nampula. Segundo o vendedor, alguns clientes adquirem-nas para guardar medicamentos tradicionais, enquanto outros procuram estes recipientes para fins ritualísticos.
Esta procura mostra que as panelas de barro ainda fazem parte de determinadas práticas culturais, religiosas e domésticas, embora o seu papel nas cozinhas tenha diminuído ao longo do tempo.
Colete defende que a modernização não deve significar o abandono da arte local. Na sua perspectiva, é possível utilizar utensílios modernos sem deixar morrer os conhecimentos e as práticas que marcaram a vida dos antepassados.
O comerciante considera que a valorização destes artigos depende também do interesse das famílias em transmitir os seus costumes aos mais novos, para que conheçam a importância das panelas de barro na história e na cultura das comunidades.

©ELINA ECIATE, Correspondente em Nampula (Texto e fotos)

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 23 de Outubro de 2026.

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