Planear para a juventude moçambicana — EUGÉNIO MULHOVO
Planear não é aplicar injecções, é enquadrar os seus objectivos ao contexto socio-económico do país.
O planeamento familiar costuma ser o centro de toda a actividade humana.
Empresas, governos e outros tipos de organizações costumam fazer planeamentos e balanços para testar o nível de cumprimento dos objectivos traçados para um determinado ano.
Assim deveria ser com cada ser humano em idade activa.
Hoje em dia, um casal que luta para construir uma casa tipo 4, ou uma jovem que luta
para se formar, acaba por trazer um filho ao mundo num contexto em que cuidar de si
próprio constitui um desafio enorme.
Uma decisão mal tomada pelos chefes da família (marido e mulher) pode comprometer o bem-estar da família, bem como o futuro dos mesmos.
Numa casa onde há fome, não há paz, o que pode causar separações de casais,
decorrentes da má gestão financeira (falta de planeamento). Tantas são as raparigas que ingressam no mundo da prostituição devido ao nível das condições económicas da
família.
A falta de planeamento faz com que funcionários do Estado, que auferem o salário
mínimo do Estado moçambicano, de aproximadamente nove mil meticais, façam
empréstimos para comprar carros, realizar o casamento dos sonhos e mobilar a casa.
Estas são acções que não devem ser prioritárias para quem pretende construir uma estabilidade financeira.
Façamos uma conta simples: dos nove mil meticais, subtraindo cinco mil, ficam quatro mil meticais para sustentar uma família de cinco membros, num contexto em que os custos de transporte e alimentação estão cada vez mais a aumentar devido à inflação.
Antes de matricular um filho numa escola ou formação privada, deve haver a
preocupação de planear, pois o tempo perdido não volta, sobretudo em caso de
desistência por questões financeiras.
Recomendação pessoal
Em vez de multiplicar as despesas adquirindo viaturas, cujos combustíveis têm tido
preços a disparar e cuja manutenção é caríssima, é melhor diversificar as fontes de
rendimento com negócios que permitirão pagar dívidas sem comprometer o sustento
familiar, em caso de recurso a um empréstimo bancário.
Que cada um de nós, antes de tomar uma decisão que possa custar lhe caro no futuro, procure mentores e pessoas dispostas a darlhe conselhos para um
melhor planeamento em qualquer área da vida.
©EUGÉNIO MULHOVO *
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 23 de Outubro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.
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