Antigo ministro da Saúde defende diagnóstico precoce do cancro da mama

O médico, antigo ministro da Saúde, Alexandre Manguele, defendeu, recentemente, o reforço da sensibilização da população e do acesso ao diagnóstico precoce do cancro da mama, considerando que a identificação atempada da doença é fundamental para aumentar as possibilidades de tratamento bem-sucedido e reduzir a mortalidade.

A posição foi manifestada durante uma conferência integrada nas Jornadas Científicas Estudantis da Universidade Politécnica, no âmbito das celebrações do Outubro Rosa.

Na ocasião, Alexandre Manguele, que já desempenhou, também, a função de director-geral do Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA), alertou para a necessidade de combater o desconhecimento, o medo e o estigma associados à doença, factores que, segundo explicou, contribuem para a procura tardia dos serviços de saúde e dificultam o acesso ao tratamento adequado.

“Quanto mais cedo se detectar o cancro da mama e se iniciar o tratamento, maiores são as possibilidades de cura. Quando a doença é identificada numa fase inicial, as probabilidades de sucesso do tratamento são muito superiores”, explicou o médico.

O especialista esclareceu ainda que, embora o cancro da mama afecte predominantemente as mulheres, também pode ocorrer nos homens, pelo que a informação sobre os factores de risco e o reconhecimento dos sinais de alerta devem abranger toda a população.

Entre os principais desafios à prevenção e ao controlo da doença, Alexandre Manguele apontou a insuficiência de informação, as dificuldades de acesso aos serviços especializados e as limitações dos mecanismos de rastreio e diagnóstico, tendo, neste contexto, defendido o reforço da educação para a saúde, a formação dos profissionais e a criação de condições que permitam encaminhar rapidamente os casos suspeitos para avaliação e tratamento.

O antigo ministro da Saúde sublinhou, igualmente, a importância de uma resposta articulada entre a sensibilização da população e o funcionamento dos serviços de saúde, de modo a favorecer a identificação atempada da doença e o acesso aos cuidados necessários.

Na vertente académica, chamou a atenção para o papel das instituições de ensino superior na investigação científica e na produção de conhecimentos que ajudem a encontrar respostas para os desafios da saúde pública.

A conferência marcou o encerramento das Jornadas Científicas Estudantis, que decorreram de 26 a 30 de Outubro, sob o lema “A Politécnica em Rede: Investigar, Partilhar, Transformar”, cuja sessão foi dirigida pelo reitor da Universidade Politécnica, Augusto Jone Luís.

Na ocasião, o reitor apelou a uma maior participação de estudantes e docentes na produção científica, incentivando a transformação dos resultados das investigações em artigos para publicação nas revistas da instituição.

“Damos particular importância à pesquisa e queremos que os trabalhos desenvolvidos pelos nossos estudantes e docentes sejam transformados em artigos científicos e publicados nas revistas da Universidade”, afirmou.

Para Augusto Jone Luís, as jornadas constituem igualmente um espaço de valorização do conhecimento e de incentivo à investigação, permitindo aos estudantes partilhar os resultados dos seus trabalhos e desenvolver competências para a actividade científica.

A iniciativa reuniu a comunidade académica das delegações de Maputo, Nampula, Quelimane, Tete e Nacala, bem como do Centro de Educação Aberta e à Distância (CEAD) e da Escola de Pós-Graduação (EPG), através de actividades presenciais e virtuais.

Ao longo dos cinco dias, o programa contemplou reflexões sobre transformação digital, sustentabilidade, saúde e bem-estar, inovação, empreendedorismo, empregabilidade, ética e responsabilidade social, relacionando estas matérias com os desafios actuais da sociedade.

Entre as apresentações, uma conferência orientada pelo técnico de primeiros socorros Simão Magaia abordou a utilização de um aplicativo da Cruz Vermelha para apoiar a resposta a situações de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A sessão incidiu sobre o reconhecimento dos sinais de alerta e os procedimentos a adoptar perante esta emergência médica, evidenciando o contributo das ferramentas digitais para a educação em saúde.

Através desta iniciativa, a Universidade Politécnica procura fortalecer a articulação entre o ensino e a investigação científica, promover a partilha de experiências entre as suas diferentes delegações e incentivar a comunidade académica a produzir conhecimentos e soluções capazes de responder aos desafios da sociedade moçambicana.

©Redactor

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