Christa Pike sobrevive a duas doses letais
A norte-americana Christa Pike, condenada à morte no Tennessee pelo assassínio de uma colega em 1995 (ver jornal Redactor N° 7409, pág. 5), continuava viva depois de ter recebido duas doses de pentobarbital durante uma tentativa de execução por injecção letal, segundo jornalistas que assistiram ao procedimento e documentos apresentados pelos seus advogados.
Pike, de 50 anos, deveria ter sido executada na quarta-feira, mas o procedimento foi inicialmente suspenso por uma decisão de um tribunal federal de recurso, emitida cerca de uma hora antes da hora prevista para a execução.
Horas depois, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos anulou essa suspensão, permitindo que o Estado do Tennessee retomasse o procedimento.
Jornalistas presentes na prisão de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, relataram que as autoridades pareciam ter administrado duas doses de pentobarbital a Pike. Mais de 40 minutos após a segunda administração, a condenada continuava viva e respirava de forma audível, segundo os relatos.
Numa moção de urgência apresentada aos tribunais, os advogados afirmaram que Pike “não perdeu a consciência”, mantinha batimento cardíaco e estava a ressonar, pedindo a suspensão imediata da execução e a prestação de cuidados médicos.
A defesa sustentou que a continuação do procedimento poderia causar sofrimento desnecessário à condenada e violar a proibição constitucional de penas cruéis e incomuns.
A execução tinha sido adiada enquanto o Tribunal de Recurso do 6.º Circuito analisava alegações de que a história de abusos sexuais e negligência na infância de Pike não fora devidamente considerada na fase de condenação.
O Supremo Tribunal autorizou posteriormente o Tennessee a avançar, numa decisão sem fundamentação publicada. As três juízas liberais do tribunal manifestaram discordância, defendendo que as alegações mereciam uma análise judicial mais completa.
Christa Pike foi condenada à morte pelo homicídio de Colleen Slemmer, então com 19 anos. A execução teria feito dela a primeira mulher executada no Tennessee em mais de dois séculos.
©Redactor com agências
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