Direito a Nhonga — EUGÉNIO MULHOVO
O “Direito a Nhonga” não é um direito plasmado na Constituição, mas está enraizado na vida de muitos de nós.
Na actualidade, tudo parece ter um preço. Até o homem “pagou” com a sua própria costela para que a mulher existisse, segundo Génesis 2:21-22.
O vendedor ambulante dificilmente pode ser obeso pelo “exercício” da sua actividade. Assim também são os Nhonguistas, que parecem nunca se fartar de viver à custa dos outros.
Engana-se quem pensa que a Nhonga acontece somente no aparelho do Estado. Ela é também uma falta de consciência colectiva que, por vezes, pode até parecer justa, porém, muitas vezes, opera na contramão, prejudicando até quem dela se beneficia.
A Nhonga pode colocar incompetentes em áreas sensíveis, como a polícia, as Forças Armadas, a medicina e a educação, acabando por prejudicar a própria sociedade e, consequentemente, aqueles que praticam ou promovem esse sistema.
A Nhonga não pode ser vista como dever nem como direito quando fere os princípios da justiça social que todos pretendemos alcançar.
Que cada um de nós reflicta sobre o seu papel na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O suborno é um mal que afecta o nosso quotidiano e, por isso, precisa de ser erradicado.
O chamado “refresco” já habilitou condutores assassinos a circular pelas vias públicas, entre tantos outros males que resultam dessa prática.
Até quando continuaremos a normalizar aquilo que, na verdade, prejudica a todos nós?
©EUGÉNIO MULHOVO *
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 08 de Outubro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.
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