Está a ficar tarde

Está a ficar tarde para as FDS de Moçambique (re)agirem em conformidade ante a intensificação dos ataques dos “insurgentes” em Cabo Delgado, norte do país, deplorou o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi.

Falando na sua capacidade de Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, Nyusi repetiu que “está a ficar tarde” para uma devida resposta aos sucessivos ataques dos “insurgentes que se estão a tornar cada vez mais ousados, a cada dia que passa.

O apelo do presidente Nyusi surge horas depois de um atrevido ataque dos “insurgentes” que, inclusivamente, atingiu uma sede do partido governamental – FRELIMO, naquela região nortenha de Moçambique.

Ao que o Correio da manhã apurou, os insurgentes realizaram um “ataque de grandes proporções”, que começou por volta das 18 horas de segunda-feira e que apenas terminou por volta da uma hora da madrugada desta terça-feira, tendo como teatro a aldeia de Mbau, em Mocímboa da Praia.

Segundo o Centro de Integridade Pública (CIP), que tem informantes naquela região, o “ataque culminou com a morte de mais de 10 pessoas, metade das casas da aldeia queimadas, e a sede local do partido Frelimo igualmente incendiada”.

Os informantes do CIP relatam que “agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) tentaram repelir o ataque, levando a troca de tiros por longas horas”.

O chefe do Posto Administrativo de Mbau, que também tinha se refugiado para as matas por conta do ataque, conta que os insurgentes quando entraram na povoação encontraram muitos jovens concentrados a consumir álcool e muitos foram mortos no local, ainda de acordo com os informadores do CIP.

Os insurgentes também arrombaram barracas e “apoderaram-se de mercadorias, incendiaram as barracas e saíram da aldeia com a viatura cheia de mercadorias”, disse o chefe do Posto.

“Nesta manhã, a população local está em busca de meios de transporte para abandonar a Aldeia Mbau para outros pontos da província de Cabo Delgado”, dizem as mesmas fontes.

Este foi o segundo ataque no mesmo dia. O outro ataque ocorreu na povoação de Limala, localidade de Mengueleua, em Muidumbe e resultou em duas mortes. Insurgentes surpreenderam dois homens com idades compreendidas entre 28 a 30 anos quando se encontravam na machamba tendo sido mortos e decapitados, por volta de 10h de segunda-feira.

Este é o oitavo ataque de insurgentes em Cabo Delgado desde o início da campanha eleitoral.

Perante o actual quadro, Nyusi exigiu hoje às Forças Armadas do país uma solução rápida para conter a violência armada em Cabo Delgado, considerando que “está a ficar tarde”.

“Já está a ficar tarde para cuidar deste assunto. Se preciso, voltem à preparação”, disse o chefe de Estado moçambicano, falando diante de oficiais do Exército que o foram saudar na Presidência da República, no âmbito do 55.º aniversário das Forças Armadas de Moçambique, que se assinalam na quarta-feira.

Se preciso, voltem à preparação – disse o PR

Para Filipe Nyusi, é importante que se evite a politização da situação, que exige competência e dedicação por parte do Exército moçambicano.

“Os comandantes devem estar no seu lugar. Não politizemos as Forças Armadas, distribuindo cargos. Temos de agir com base na competência”, frisou o chefe de Estado moçambicano.

Num tom descomunalmente muito severo, Filipe Nyusi exigiu ainda concentração das Forças Armadas moçambicanas.

“Concentrem-se na vossa tarefa, principalmente quando o povo está sob uma ameaça”, concluiu o Presidente moçambicano.

A província de Cabo Delgado, palco de uma intensa atividade de multinacionais petrolíferas que se preparam para extrair gás natural, tem sido alvo de ataques de homens armados desconhecidos desde Outubro de 2017.

Os ataques já causaram a morte de aproximadamente 300 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

O Estado Islâmico tem anunciado desde Junho estar associado a alguns destes ataques, mas autoridades têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista ‘jihadista’ nos ataques, que vá além de algum contacto com movimentos no terreno.

Redacção

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