Necromancia: A ilusão de tentar estabelecer contacto com os que já partiram para a eternidade — JOÃO RIBEIRO
Confiante de não estar errado, considero o tema deste artigo uma das maiores ilusões da sociedade; uma prática observada em quase todas as culturas do mundo.
É comum, durante as cerimónias fúnebres especialmente no momento dos discursos, ouvirmos palavras bonitas dirigidas ao finado, representado pelo corpo que se encontra diante dos seus parentes e amigos ali reunidos para comungar a dor de uma grande perda.
Palavras nunca ditas ao malogrado enquanto vivo são expressas, na maioria das vezes aos prantos e por vozes soluçantes, até por indivíduos que em vida nem sequer se comunicavam com ele. A crença por trás de todas essas declarações é a de que o corpo presente tem a capacidade de interagir com eles e, quem sabe, partilhar dos mesmos sentimentos.
A mesma ilusão é vivenciada nos cemitérios, quando as pessoas visitam os locais onde jazem os restos mortais dos seus entes queridos. Várias vezes ouvi pessoas dizerem: “Vou visitar o meu pai”, “a minha mãe” ou outro familiar e, ao chegarem lá, proferem palavras e súplicas diante do túmulo na expectativa de estarem a comunicar-se com quem já partiu há algum tempo.
Por fim, vale citar o exemplo das pessoas que fazem orações em suas casas ou em lugares “sagrados” pedindo algum tipo de intervenção dos mortos na mudança ou condução das suas vidas.
Como diz a Palavra de Deus: “O meu povo perece por falta de conhecimento”.
Uma das provas da veracidade deste versículo bíblico reflecte-se na concordância entre a ciência e a teologia no que concerne à incapacidade auditiva de um corpo cujo cérebro já não se encontra em funcionamento e cuja alma dele já se separou.
A Bíblia é clara ao afirmar que não há comunicação entre os vivos e os mortos. Infelizmente, até cristãos caem nesta ilusão e confundem a fé daqueles que ainda não tiveram a alegria de ouvir o Evangelho.
Atenção: em nenhum momento disse que não devemos sentir saudades de um ente querido ou fazer um culto em sua memória. Considero legítimo sentir a dor da perda, desejar dizer últimas palavras ou ter a vontade de conversar; mas a verdade absoluta é que a outra parte já não pode ouvir nem responder.
A compreensão desta realidade pode ajudar muitas pessoas a valorizarem cada minuto com os seus entes queridos enquanto estiverem vivos, evitando também que sejam enganadas por aqueles que dizem ter a capacidade de estabelecer comunicação entre o mundo dos mortos e dos vivos.
Um dos ensinamentos que extraímos da parábola do rico e Lázaro, apresentada pelo nosso Senhor Jesus Cristo, é que não havia necessidade de um morto (Lázaro) ir pregar para a família do rico, pois entre os vivos já existiam os mensageiros de Deus.
O único intercessor e mediador entre o Criador e a humanidade é Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador
©JOÃO RIBEIRO *
* Ministro cristão com formação em Teologia, Exposição Bíblica e Administração de Ministérios e Famílias
Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 10 de Setembro de 2026.
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