O dilema da negligência médica em Moçambique — EUGÉNIO MULHOVO
Tudo começa quando uma estudante de uma determinada área da saúde paga, em dinheiro ou através de sexo, para transitar de semestre académico.
Quando um profissional de ensino vende o conhecimento médico através da corrupção sexual, esquecendo-se de que a mesma pessoa que passou de classe sem conhecimento da matéria pode tornar-se o seu futuro médico, do seu próprio filho, ou dos seus familiares, pelo carma da vida.
A má qualidade dos profissionais de saúde é fruto daqueles que quiseram realizar o sonho de se formar sem respeitar as “regras do jogo”, pagando por um diploma que não salva vidas.
Outro problema está no estágio pré-profissional sem qualidade e nas instituições de ensino sem equipamentos adequados para a realização de ensaios clínicos.
Os salários deixam muito a desejar, a falta de material cirúrgico e a carga horária pesada são alguns dos problemas que marcham contra o lema: “O nosso maior valor é a vida”.
Mas também a negligência médica pode ser causada meramente por negligência, através de um tratamento falhado por conta da ação do profissional. Nestes casos, deve haver uma punição exemplar, que vá desde a perda da licença profissional até à prisão, devendo criar-se um dispositivo legal para atender aqueles que clamam por justiça: familiares, amigos e até as próprias vítimas desse mal que tenham sofrido danos.
Ser médico, enfermeiro ou técnico de medicina é uma missão nobre de salvar vidas; não é apenas um emprego. Daí o apelo a uma maior responsabilidade no atendimento daqueles que são a força motriz da sociedade: as pessoas.
Pede-se atenção ao dar alta, ao fazer um diagnóstico médico, ao realizar cirurgias, entre outras ações que visam salvar vidas humanas, para edificar uma sociedade sã.
©EUGÉNIO MULHOVO *
*Ministro religioso
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 09 de Outubro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.
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