Para ler apaixonado — STÉLVIO MARTINS

Era linda a poesia que morava nos seus olhares. Era pura a malícia que morava na sua inocência, era bom o gosto dos beijos misturados com ternura, embrulhada em tristeza mergulhada em lágrimas doces.

Era lindo o tocar das mãos carregadas de pedras de quem se esquivava das maldades inescapáveis do mundo, que os rodeava e os aprisionava no interior dos seus infinitos seres, cheios de insignificâncias.

Conheciam amores, amores bandidos. Eram bandidos amantes que quebravam as regras ousando ser diferentes, incomodando outros viventes que viviam a compasso de relógio tão estático e comum.

Era tão grande ousadia quando andavam de mãos dadas no seu universo particular que era cheio de olhares de incompreensão. Todos querem mudanças, no entanto ninguém gosta do diferente todos abominam o que não é rotineiro. Tanto amor no ar, era ultrajante!

Quem eles pensavam que eram? Era incompreensível aquela festa em meio a tanto caos. E faziam-se cegos e surdos, nada viam para além dos seus lábios que insistiam em passar a maior parte do tempo agarrados (…) tão macios, era muito o calor que se escondia naquelas mãos que andavam juntas e coladas. E era bom estar ali.

STÉLVIO MARTINS *

* Um humilde silencista

Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 11 de Agosto de 2026, na rubrica OPINIÃO.

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