A ceia oculta — LEANDRO PAUL
Naquele feriado das FADM, 25 de Setembro, Júlio decidiu visitar a irmã no bairro da Malhangalene em Maputo. Era um gesto simples, movido pela saudade, mas mal sabia ele que a noite terminaria em tragédia.
Chegou por volta das 19 horas, cansado após um longo dia de trabalho, como pedreiro, pois havia tido um biscate naquele dia de feriado.
A irmã recebeu-o com carinho, mas o cunhado, Paulino, lançou-lhe um olhar cortante, como se a presença de Júlio fosse um incómodo profundo.
Na cozinha, o aroma de caril de carne de vaca com arroz era irresistível. “Fica para jantar”, disse a irmã, convidando-o para partilhar a refeição. Júlio aceitou, ignorando o desconforto do cunhado, que desapareceu da sala com pressa.
Quando a irmã foi buscar a panela para servir o jantar, o inesperado aconteceu: a panela desaparecera. Após uma busca rápida, ela encontrou o caril escondido sobre uma mesa, junto à cama do casal. Paulino, num gesto egoísta, tentava evitar que o cunhado tocasse na comida.
Indignada, a irmã pegou na panela e dirigiu-se à cozinha para servir o irmão. Foi aí que o caldo entornou. Paulino atirou-se contra ela, acusando-a de “esbanjar o que ele comprava com muito esforço”. Gritos tomaram conta da casa. Júlio, incomodado com a humilhação da irmã, tentou intervir, mas a sua tentativa de apaziguar a situação resultou em algo ainda pior.
Paulino voltou toda a sua fúria contra ele. O que começou como uma troca de insultos, rapidamente escalou em confronto físico.
Num acesso de fúria animalesca, Paulino atacou Júlio com mordidas brutais. Arrancou pedaços de pele do dedo e tentou, em vão, morder-lhe o nariz, acertando em cheio os lábios. Júlio, ensanguentado, mal conseguia se defender.
A sala transformou-se num cenário de horror. A irmã gritava desesperada, enquanto os vizinhos, alarmados pelos sons, invadiam a casa para separar os dois homens. Quando a luta cessou, Júlio foi levado ao hospital, com ferimentos tão profundos que exigiram várias horas de tratamento.
Enquanto se recuperava, Júlio lamentava: “Por causa de um simples prato de caril, perdi sangue e a minha dignidade”.
Decidido a fazer justiça, prometeu processar o cunhado por danos físicos, morais e financeiros – diz ter perdido 2.000 meticais na contenda – e nunca mais lá pôr os pés.
* Jornalista, jurista, docente universitário, empresário e contador de estórias
Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 12 de Setembro de 2025, na rubrica de opinião denominado FIM-DE-SEMANA: A caminho dos 30.
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