Lourenço do Rosário preocupado com violência e protecção das crianças

O académico e chanceler da Universidade Politécnica, Lourenço do Rosário, defende a necessidade de se aprofundar a reflexão científica e social sobre os impactos da violência organizada, da guerra e da exclusão social nas crianças e nas comunidades, considerando que estes fenómenos produzem consequências profundas sobre a vida das pessoas e o equilíbrio das sociedades.

A reflexão foi partilhada durante o IV Congresso Internacional de Psicanálise “Crianças, Guerra e Persecução”, realizado entre os dias 14 e 16 de Maio, na cidade de Maputo, reunindo especialistas, investigadores, profissionais de saúde mental e académicos de diferentes países para debater os efeitos da guerra, da pobreza estrutural, da perseguição e da violência social no desenvolvimento humano e no bem-estar das crianças e adolescentes.

O encontro promoveu, igualmente, a partilha de perspectivas multidisciplinares sobre os mecanismos emocionais, sociais e culturais associados aos contextos de violência, reforçando a importância do diálogo, da escuta e da construção de respostas colectivas orientadas para a promoção da dignidade humana e da paz social.

“Este congresso visou reflectir sobre a psicanálise, a psicologia e a história da violência social, colocando a ciência perante um fenómeno social que afecta profundamente as pessoas e, em particular, as crianças. Os actos de guerra têm sempre consequências devastadoras. As pessoas morrem, ficam traumatizadas e carregam marcas profundas”, afirmou Lourenço do Rosário.

Na ocasião, o académico apelou a uma reflexão sobre os limites da produção científica perante a repetição histórica dos conflitos e das diferentes formas de violência social, questionando o papel da humanidade face à persistência destes fenómenos ao longo do tempo e em diferentes contextos geográficos.

“Quais serão os efeitos desta produção da ciência sobre aquilo que nós já sabemos que existe e que continuamos a descobrir de forma sistemática ao longo dos vários quadrantes geográficos e dos vários séculos? Será que a humanidade está condenada a viver permanentemente neste sobressalto?”, questionou.

Por sua vez, o reitor da Universidade Politécnica, Augusto Jone Luís, realçou a relevância académica, científica e institucional da iniciativa, sublinhando a responsabilidade das universidades na produção de conhecimento comprometido com a compreensão e transformação da realidade social.

“Estas questões interpelam-nos de forma incontornável, porque dizem respeito a uma realidade que atinge o núcleo mais sensível da condição humana. Reflectir sobre elas constitui um imperativo ético, científico e institucional”, considerou.

Por seu turno, o membro do Círculo Psicanalítico de Moçambique, Boia Efraime Júnior, referiu-se à necessidade de as comunidades valorizarem as referências culturais, históricas e sociais como parte da construção de uma sociedade mais equilibrada e orientada para a protecção das crianças.

“A fome e a pobreza, enquanto formas de violência estrutural, devem ser colocadas ao mesmo nível das guerras e dos conflitos armados. Precisamos de recuperar o orgulho pela nossa história, cultura e saberes ancestrais, construindo um pacto social que proteja a vida e promova o bem-estar das nossas crianças”, concluiu.

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