Populações de peixes de água doce em declínio
O Fundo Mundial para a Natureza, mais conhecido pela denominação em inglês World Wide Fund for Nature (WWF) acaba de fazer soar os alarmes, alertando para o declínio acelerado das populações de peixes de água doce em África, Moçambique incluído, e fazer um dramático apelo aos governos para a tomada de medidas visando reverter a situação.
O alerta está contido num relatório divulgado oficialmente esta quinta-feira, 10 de Julho de 2025, no âmbito dos preparativos da 15th Meeting of the Conference of the Contracting Parties (15ª Reunião da Conferência das Partes Contratantes) agendada para decorrer na região eminentemente turística zimbabweana de Victoria Falls, entre os dias 23 e 31 deste mês.

Com a divulgação deste documento, intitulado “Peixes esquecidos de África” o WWF tenciona animar iniciativas globais visando proteger a pesca interior no continente africano, tendo em conta o seu valor económico, ecológico e cultural.
O documento, consultado pelo jornal Redactor, vinca que um em cada quatro espécies de peixes de água doce em África está em risco de extinção, tendo em conta que actualmente se regista a captura e uma média de 2,56 kg per capita desta espécie, a mais elevada do mundo e 28% superior à assistida na Ásia.
Refere o relatório “Peixes esquecidos de África” que por estes dias se regista 90% de declínio nas capturas de peixe na planície aluvial do Zambeze, sendo 94% composto por tilaria chambo, ícone do Lago Niassa, um dos maiores a nível do continente (560 quilómetros de comprimento, 80 de largura máxima e 700 metros de profundidade máxima).

O documento menciona que Moçambique está entre os 12 principais países produtores de peixes de água doce em África, com destaque para sua contribuição significativa na pesca de captura selvagem.
Além disso, Moçambique é citado como um dos países que identificaram Áreas de Biodiversidade Chave (KBAs) para a conservação de espécies de peixes de água doce e outros organismos aquáticos. Essas áreas são essenciais para proteger a biodiversidade e garantir a sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos.
Dezenas de milhões de africanos, incluindo nativos de Moçambique, dependem da pesca interior para alimentação e renda. O peixe de água doce fornece uma fonte acessível de proteína e micronutrientes, como ferro, zinco, cálcio e iodo, que são fundamentais para a saúde e o desenvolvimento humano, especialmente em comunidades vulneráveis.
Desde as mulheres do mercado de Lagos que vendem peixe-gato seco, passando pelas tripulações dos barcos do Niassa, Tanganica e Malawi, até os comerciantes transfronteiriços que transportam peixe fumado pela África Ocidental.
Entendidos salientam que a redução das reservas pesqueiras está a afectar os extractos mais empobrecidos das populações, devido ao agravamento constante dos preços, reduzindo desse modo o acesso a proteínas.

De acordo com o documento, a pesca de água doce é essencial para a segurança alimentar na África, incluindo Moçambique, porque o peixe de água doce é rico em proteína e micronutrientes, como ferro, zinco, cálcio e iodo, que são fundamentais para a saúde e o desenvolvimento humano, especialmente em comunidades vulneráveis. Além disso, espécies menores de peixes, como dagaa e kapenta, são particularmente importantes, pois podem se reproduzir rapidamente, garantindo uma oferta contínua de alimentos.
A pesca de água doce também sustenta milhões de pessoas, oferecendo meios de subsistência e contribuindo para a nutrição em áreas onde outras fontes de proteína podem ser escassas ou caras.
A reunião em preparação em Victoria Falls destina-se a debater em torno da Convenção sobre Zonas Húmidas de Importância Internacional, um tratado internacional que visa a conservação e uso sustentável das zonas húmidas, celebrado na cidade iraniana de Ramsar, em 1971.
REFINALDO CHILENGUE (Texto) e Wide Fund for Nature (fotos)
Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 11 de Julho de 2025.
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