Buscar alternativas menos nocivas ao cigarro
Encorajar os fumadores a abandonarem o hábito do cigarro e abraçar alternativas menos prejudiciais à saúde, quando não conseguem parar de fumar, foi uma das mensagens enfatizadas numa conferência internacional realizada de 7 a 9 de Outubro em Dubai, envolvendo industriais, médicos, empresários e jornalistas especializados em matérias relacionadas com a luta contra o tabagismo no mundo.
Durante o encontro, especialistas procuraram, com base em dados científicos, desmistificar o pensamnto dominante sobre a nicotina, por muitos considerada a principal causa de doenças relacionadas com o tabaco.
Jacek Olczak, Director Executivo da Philip Morris International (PMI), foi quem fez o discurso de abertura do encontro, frisando ser uma “perda de tempo” investir na proibição dos meios alternativos ao consumo do tabaco de queima.
Olczak defendeu a necessidade de se dar aos fumadores que não conseguem parar de fumar acesso a opções menos prejudiciais, considerando esta via de “crucial para reduzir os riscos à saúde pública”.
Aquele executivo explicou que o ideal é que as pessoas nunca devem adquirir o vício do cigarro, que os que já fumam devem abandonar, mas que se não conseguem deixar de fumar é preciso que se lhes sejam dadas alternativas menos prejudiciais à saúde.
Olczak salientou a necessidade de colaboração, inovação e acção oportuna, afirmando que os países que adoptaram alternativas ao uso do cigarro viram uma queda significativa no consumo de cigarros e melhoria da qualidade de vida, com uma redução substancial na incidência de doenças relacionadas com o consumo do cigarro.

Numa conferência de imprensa paralela, Tomoko Iida, Directora de Envolvimento Científico da PMI para o Sul e Sudeste da Ásia, comparou os meios alternativos a outras formas cientificamente comprovadas como aquelas que reduzem danos em diversas formas para o consumidor do tabaco.
“Por exemplo, o cinto de segurança é um exemplo; é possível continuar a conduzi, mas reduz o potencial de ficar ferido. A loção bronzeadora é outra; é possível continuar a apanhar banhos de sol, e minimizar a possibilidade de apanhar cancro da pele”, disse ela.
Acrescentou que o mecanismo de Redução dos Danos do Tabaco (THR, na sigla em inglês) funciona da mesma forma: “em vez de banir o cigarro, podemos ter uma alternativa que é menos nociva e provoca menos danos”.
Disse que os resultados até agora alcançados com o recurso a meios alternativos ao cigarro de queima eram encorajadores, porque está cientificamente comprovado que a nicotina não é o principal causador das doenças cancerígenas relacionadas com o consumo do tabaco.
Deu exemplo dos sucessos alcancados em muitos países onde a informação tem melhor fluxo na sociedade, referindo que no Japão e na Suécia, onde os fumadores de cigarros já haviam passado para o consumo de produtos menos nocivos de não combustão, a incidência de cancro do pulmão nos homens tinha baixado consideravelmente.
Para Iida, a mudança não acontece subitamente, “mas os resultados ao longo do tempo começam a mostrar-se e são benéficos. Isso significa que no Japão, daqui a 30-40 anos teremos menos cancro e outras doenças relacionadas com o consumo do tabaco de queima”.
Salientou que o maior problema reside na combustão, e não nos produtos alternativos.
“É de facto a queima, que é a principal causa das doenças relacionadas com o tabaco. A queima ocorre quando temos calor, oxigénio e combustível. Não é que a folha do tabaco vem com muitos químicos que são prejudiciais, mas sim os múltiplos químicos que resultam da queima do tabaco”.
Debruçando-se ainda sobre a nicotina, Iida disse que ela é uma das substâncias mais mal-entendidas no mundo, sendo alvo de muita incompreensão e informação incorrecta.
A nicotina não provoca cancro, disse ela, “apesar de mais de 80% dos médicos nos Estados Unidos entenderem que ela é causadora de cancro”.
Comparou a nicotina à cafeína, que é também uma substância psicoactiva, mas não psicotrópica, ou tóxica.
“Pensemos nas nossas vidas: não sou consumidor de nicotina, mas realmente gosto muito de café. E porque é que gosto de café? Gosto do aroma, do sabor, e da forma como ele se espalha na boca. Também gosto dos efeitos sociais do café; o convívio com a minha família ou amigos. Mas sabem o quê? Também gosto dos efeitos do café, que são os efeitos farmacológicos da cafeína; eleva o meu estado de espírito, eleva a minha concentração, a minha atenção. É a mesma coisa com a nicotina. A nicotina é também uma substância psicoactiva como a cafeína. O que faz é que quando é absorvida no corpo espalha-se pelos tecidos deste, e quando vai para o cérebro, ajuda a melhorar o estado de espírito, e estimula a concentração e a memória. Portanto, este é o efeito farmacológico da nicotina que as pessoas procuram, para além do sabor, do aroma, dos aspectos sociais e outros efeitos”, disse ela.

Sublinhou que em todo o mundo é legalmente permitido consumir cafeína e nicotina e conduzir um automóvel, mas que o mesmo não se aplicava ao álcool, pelo facto de este interferir com a capacidade do consumidor de pensar, julgar e concentrar a mente.
Acrescentou que para além de políticas públicas consentâneas com a necessidade de encorajar os fumadores a abandonarem os seus hábitos, oferecendo-lhes alternativas menos nocivas, é importante que o público disponha de informação que permite que as pessoas tomem decisões devidamente informadas.
É importante ter informação e os produtos disponíveis, disse Iida, acrescentando que “o ideal é que os fumadores deixem de fumar completamente, mas se não conseguem, então o nosso conselho é que passem a usar alguns destes produtos que não envolvem a queima do tabaco”.
REFINALDO CHILENGUE (Texto e fotos), em Dubai
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