Quase 6.000 crianças entre deslocados em Cabo Delgado

Mais de 12 mil pessoas, metade crianças e incluindo 62 grávidas, fugiram desde o início do mês de ataques terroristas em Ancuabe, província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, de acordo com o relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado hoje.

Segundo este documento, que analisa o período de 01 a 10 de Maio, “ataques seguidos pelo medo” de grupos armados não estatais, que operam há mais de oito anos no Norte de Moçambique, “desencadearam deslocamentos para várias aldeias”, dentro de Ancuabe e para o distrito vizinho de Montepuez.

Acrescenta que 12.077 pessoas, equivalente a 3.871 famílias, fugiram neste período das localidades de Nacuale, Minheuene e Meza, sobretudo para Ancuabe sede (8.232 pessoas), Montepuez e Namanhubir sede (3.845 em cada).

A OIM aponta que, das 3.507 mulheres adultas (29%) identificadas nos grupos de deslocados, 62 estavam grávidas, além do registo de 5.870 crianças (49% dos deslocados de Ancuabe), 183 pessoas com mais de 60 anos e 22 portadoras de deficiência, manifestando “preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial”.

Este relatório surge depois da Direcção-Geral da Protecção Civil Europeia e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO) ter estimado, na terça-feira, que pelo menos 11 mil pessoas foram deslocadas pelos recentes ataques armados, entre finais de Abril e início de Maio, nos distritos de Ancuabe e Montepuez, em Cabo Delgado.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 07 de Maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.

Na reivindicação, através dos canais de propaganda, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja: “Expulsaram os combatentes da aldeia, incendiaram uma igreja e cerca de 220 casas, além de várias lojas pertencentes aos cristãos”.

Um grupo atacou em 05 de Maio a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, de acordo com fontes da comunidade local. O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal.

O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort – construída em 1946 e símbolo da presença católica na região -, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.

A organização ACLED registou 15 eventos violentos em duas semanas na província de Cabo Delgado, sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 15 mortos, elevando para 6.542 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 20 de Abril a 03 de Maio, dos 2.371 eventos violentos registados desde Outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

O bispo de Pemba, em Moçambique, disse em 02 de Maio que um grupo de extremistas destruiu completamente a histórica paróquia de São Luís de Monfort e raptou civis, em Ancuabe.

“Depois de queimarem algumas casas, maioritariamente dos cristãos católicos e outros também cristãos não católicos, depois de vandalizarem o hospital […], foram directo às infraestruturas que estão na paróquia de São Luís de Monfort de Minhoene e ali destruíram tudo. Queimaram a escola que está aí, queimaram a paróquia, a casa dos padres, a secretaria paroquial, a escolinha foi totalmente vandalizada”, descreveu António Juliasse.

Acrescentou que pelo menos 300 católicos foram mortos, maioritariamente por decapitação, e mais de 117 unidades da igreja destruídas, desde o início do conflito armado em 2017.

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