O tabu da depressão e as suas implicações— EUGÉNIO MULHOVO
Em sociedades de países em vias de desenvolvimento, como Moçambique, as doenças resumem-se, na visão da maioria das pessoas, a questões de natureza fisiológica apenas. Daí doenças como a depressão têm sido negligenciadas.
Crianças sofrem violência sexual, psicológica e até mesmo física nas suas próprias famílias e, como resultado disso, crescem com traumas, contraem depressão, que pode culminar em suicídio.
Essas mesmas crianças, que tiveram um lar sem valores, hoje são pais de família e replicam o mal que sofreram durante a infância, podendo culminar no suicídio de um dos membros seniores da casa, como, por exemplo, a mãe, condicionando o crescimento normal dos filhos.
Vê-se, neste caso, o efeito multiplicador e geracional de problemas de origem psicológica.
As casas de apostas são um mal que afecta a juventude moçambicana. Filhos, pais ou mesmo amigos cometem suicídio por causa deste vício.
Agentes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) que têm acesso a armas de fogo, quando não conseguem restituir o valor emprestado para as apostas, optam por tirar a própria vida.
Nas FDS, deve ser criado um departamento de psicologia para avaliar o estado de saúde emocional dos seus agentes antes de lhes serem entregues armas de fogo para o exercício do seu trabalho.
Que o poder legislativo, através da Assembleia da República, crie leis para fiscalizar as casas de apostas, que têm enriquecido à custa do choro das famílias moçambicanas. Deve aumentar-se a fiscalização para proibir que menores de idade tenham acesso às apostas.
Contudo, o Setembro Amarelo é um período no qual cada um de nós deve reflectir sobre as causas e consequências do suicídio na edificação de uma sociedade sã.
©EUGÉNIO MULHOVO *
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 29 de Setembro de 2026, na rubrica denominada Opinião.
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