Até que ponto o grau de licenciatura pode ser uma unidade de medida da inteligência humana? — EUGÉNIO MULHOVO
Vários são os analfabetos universitários que, até para manipular o Microsoft Word, são como astronautas: só veem “estrelas”. Ler uma obra literária constitui um grande desafio, mesmo para publicar um artigo de opinião ou até mesmo um artigo científico.
Uma das consequências dessa má qualidade na formação são os baixos critérios para reivindicar e lograr uma vaga de emprego após a formação.
Algumas mulheres chegam a contrair doenças sexualmente transmissíveis, como o vírus do HIV, na tentativa de buscar meios “ocultos” para transitar algumas cadeiras semestrais.
O intelectual deve pesquisar, procurando soluções para os problemas de cada sector. Hoje em dia, ter uma licenciatura é ter um nível académico que permita buscar uma vaga de emprego.
O conteúdo didáctico também, em alguns sectores, está longe de responder aos desafios que o país apresenta. É o exemplo da disciplina de História, que se foca mais na história ocidental, enquanto temos uma cultura e uma identidade escondidas que serviriam de alicerce para construir um Moçambique próspero e livre do neocolonialismo ocidental.
Os métodos de ensino e avaliação nas universidades devem acompanhar o crescimento tecnológico, para uma formação com êxito, que todos desejamos alcançar. Pois o número de licenciados no país não vai mudar o nosso destino por si só, sem que haja pessoas com conhecimentos e ferramentas para alcançar esse objectivo.
Em jeito de sarcasmo, espera-se das universidades que formem docentes com canudos na cabeça e inteligência na mente.
©EUGÉNIO MULHOVO *
*Ministro religioso
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 03 de Novembro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.
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