Bicicletas e muletas devolvem esperança a 47 alunos

Quarenta e sete alunos com deficiência física e visual do distrito de Nacarôa, província de Nampula, Norte de Moçambique, beneficiaram de bicicletas e muletas para facilitar a sua locomoção, no âmbito do programa “Ela Pertence à Escola”, implementado pela organização Save the Children.
A iniciativa pretende reduzir as barreiras de mobilidade que dificultam o acesso à educação, proporcionando aos beneficiários melhores condições para frequentar as aulas, participar nas actividades escolares e prosseguir com os estudos com maior autonomia e dignidade.
Antes de receberem os meios de compensação, chegar à escola constituía um verdadeiro desafio para muitos destes alunos. Enquanto alguns dependiam da ajuda de familiares e de outras pessoas, outros recorriam a boleias ou tinham de pagar meus de transporte diversos.
A situação era particularmente difícil para alunos com limitações de mobilidade, alguns dos quais chegaram a contrair ferimentos durante o percurso para a escola. Em determinados casos, as dificuldades enfrentadas comprometiam a assiduidade e contribuíam para que os alunos não conseguissem concluir o ano lectivo.
Eurico Jemusse, coordenador distrital do projecto “Ela Pertence à Escola” para os distritos de Eráti e Nacarôa, considera que todas as crianças, independentemente da sua condição física, têm direito à educação e devem dispor de condições que lhes permitam frequentar a escola.
Segundo o responsável, a disponibilização dos meios de compensação poderá contribuir para melhorar o desempenho escolar dos beneficiários, ao reduzir a dependência de terceiros nas deslocações diárias e na participação em actividades escolares.
“Em algum momento, os alunos que hoje beneficiam destes meios circulantes iam à escola a pé ou à boleia. Agora, não serão dependentes de alguém. Basta chegar a hora de ir à escola, eles próprios poderão pegar na sua bicicleta e deslocar-se, assim como participar nos trabalhos em grupo. Desta forma, estaremos a contribuir para a melhoria da educação da criança”, explicou Eurico Jemusse.

Governo destaca inclusão social
Por sua vez, Charles Josito Frank Manuel, secretário permanente do distrito de Nacarôa, considera louvável a iniciativa, por contribuir para a inclusão social e facilitar o acesso à educação por parte de crianças com deficiência.
Apesar de reconhecer a importância da intervenção, o responsável observa que ainda existem outras crianças com limitações físicas que necessitam de apoio, manifestando confiança de que, progressivamente, mais beneficiários poderão ser abrangidos por iniciativas desta natureza.

De táxi-mota à bicicleta: o sonho de ser enfermeiro
Entre os beneficiários está Juma Jaime, aluno da 10.ª classe, que sonha tornar-se enfermeiro. Para ele, a bicicleta recebida representa uma oportunidade de reduzir as dificuldades de transporte que enfrentava para chegar à escola.
O aluno conta que, anteriormente, dependia do táxi-mota para fazer o percurso, uma despesa que nem sempre conseguia suportar. Quando não tinha dinheiro para pagar o transporte, não ia às aulas.
“Estou feliz por receber este meio circulante. O problema é que a estrada não está boa. Antes, eu pagava táxi para ir à escola; se não tivesse dinheiro, não ia”, relatou o aluno.

Uma esperança para continuar os estudos


Outra história que evidencia a importância da iniciativa é a de Amida Ramadane, uma das alunas beneficiárias, cuja mobilidade dependia, em grande parte, do gatinhar. Segundo a mãe, Ramadane chegou a contrair ferimentos durante o percurso para a escola, devido às dificuldades de locomoção.
Apesar dos obstáculos, Amida Ramadane nunca desistiu de estudar. No entanto, as limitações físicas dificultavam a conclusão regular do ano lectivo, uma situação que a família espera ver ultrapassada com o apoio recebido.
“Ela nunca parou de estudar, mas raramente termina o ano por conta da sua condição física. Acredito que agora a situação será diferente. Ela vai estudar e terminar os estudos sem problemas com este meio circulante que acaba de receber”, afirmou a mãe da aluna.

©ELINA ECIATE, Correspondente em Nampula (Texto e fotos)

NE: A designacao de “Ela Pertence à Escola” foi adoptada pelo facto de, incialmente, o projecto ter sido desenhado basicamente para assegurar a retenção da rapariga no sistema educativo, com enfoque na prevenção da gravidez precoce e das uniões prematuras, promovendo simultaneamente a participação dos rapazes numa abordagem inclusiva e de igualdade de género, de acordo com uma fonte competente.

©Redactor Para ver a revista Prestígio de Setembro/Outubro de 2026 clique AQUI

Compartilhe o conhecimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *