Moçambique reduz em 64% as fraudes no sector das telecomunicações
O país registou 195.045 casos de fraude no sector das telecomunicações em 2025, uma redução de aproximadamente 64% em relação ao ano anterior. Os dados constam do Relatório Preliminar de Segurança e Resiliência das Telecomunicações 2025, apresentado esta terça-feira, 3 de Novembro, na cidade de Maputo, pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), aos operadores do sector.
O relatório avalia a segurança e a capacidade de resposta do sector perante fraudes, ameaças, falhas técnicas e outros incidentes nos serviços de telefonia móvel, Internet, radiodifusão e televisão.
Apesar da redução das fraudes, o impacto financeiro consolidado dos incidentes reportados está estimado em 128,31 milhões de meticais, evidenciando a necessidade de reforçar a segurança das infra-estruturas e os mecanismos de prevenção.
A Presidente do Conselho de Administração (PCA) do INCM, Helena Fernandes, considerou, na ocasião, que a redução das ocorrências constitui um sinal positivo, mas alertou para a persistência de práticas fraudulentas que exigem uma resposta contínua e coordenada.
“Embora a redução registada constitua um sinal positivo, importa reconhecer que estas e outras modalidades de fraude continuam a representar um desafio significativo para a segurança do sector e para a protecção dos consumidores. Isso exige que continuemos atentos e a modernizar os nossos sistemas de prevenção, detecção e controlo”, afirmou.
Entre as modalidades de fraude mais frequentes identificadas no sector destacam-se a Wangiri, que consiste na realização de chamadas curtas para induzir os destinatários a devolver a chamada, geralmente para números internacionais ou de valor acrescentado; a SIMBOX, associada ao encaminhamento irregular de chamadas internacionais; e o SMS Phishing, que recorre ao envio de mensagens falsas para obter dados pessoais, bancários ou códigos de acesso.
A segurança das redes também foi afectada por fenómenos climáticos extremos. Segundo o relatório, os ciclones Dikeledi e Jude provocaram a inoperacionalidade de 174 estações de telecomunicações, expondo a vulnerabilidade das infra-estruturas perante eventos desta natureza e a importância de investir em sistemas alternativos de comunicação para situações de emergência.
Perante este cenário, a PCA do INCM defendeu o reforço da cooperação entre o regulador e os operadores, através da partilha atempada de informações, do reporte sistemático de incidentes, da promoção da literacia digital e da implementação de mecanismos eficazes de denúncia e prevenção de fraudes.
Registo de subscritores contribui para redução das fraudes
Por seu turno, o chefe do Departamento de Segurança de Redes de Telecomunicações e Registo de Subscritores do INCM, Osvaldo Cossa, apontou o processo de registo de subscritores, lançado pelo regulador em Maio de 2025, como um dos factores que contribuíram para a redução das ocorrências, sobretudo das fraudes associadas ao envio de mensagens de telemóvel.
Segundo o responsável, o processo permite reforçar o controlo e a identificação dos utilizadores dos serviços de telecomunicações, contribuindo para prevenir práticas fraudulentas.
Contudo, alertou para a persistência e o surgimento de novos esquemas, incluindo o roubo de identidade e a utilização de identificações falsas em fraudes envolvendo carteiras móveis e mensagens enviadas em nome de instituições legítimas.
Nestes casos, os burladores fazem-se passar por instituições prestadoras de serviços financeiros móveis, enviando mensagens fraudulentas aos utilizadores. A prática reforça a necessidade de maior vigilância e sensibilização dos consumidores.
Os actos de vandalismo e sabotagem de infra-estruturas de telecomunicações constituem outro desafio identificado no relatório. De acordo com Osvaldo Cossa, estas ocorrências provocaram prejuízos estimados em cerca de 12 milhões de dólares norte-americanos em 2025, com consequências para a segurança e a resiliência das redes.
No quadro das medidas para fortalecer a prevenção e a resposta a estes desafios, foi criada a Equipa de Resposta a Incidentes de Segurança nas Redes de Telecomunicações, que visa reforçar a coordenação e a capacidade de intervenção perante ameaças e incidentes que afectam o sector.
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