Negócios e família: uma relação que quase sempre não dá certo — EUGÉNIO MULHOVO

Paquistaneses e libaneses têm o hábito de trabalhar em família, algo que constitui um desafio enorme para a comunidade maputense em particular, e moçambicana no geral. Daí nota-se um desenvolvimento daquela comunidade, relativamente aos nacionais.

A Palavra reafirma que é melhor serem dois do que um (Eclesiastes 4:9-10), destacando a necessidade de se trabalhar em união para vencer um mal comum, que é a pobreza e o subemprego, no nosso caso.

O nepotismo pode constituir um crime à luz da legislação moçambicana. Entretanto, vê-se, no nosso dia-a-dia, pessoas a darem mais oportunidades de emprego a estranhos, enquanto os seus próprios familiares sofrem na busca de uma ocupação rentável.

Vários são os motivos da falta de entreajuda entre irmãos. Um dos motivos remonta à nossa infância, quando a maioria dos nossos próprios progenitores nos ensinaram que o irmão mais novo tem de mostrar ser melhor do que o mais velho, e vice-versa. Crescemos com esse espírito competitivo, que prejudica os relacionamentos, sobretudo nos negócios de família.

Deve-se entender que o teu irmão, primo, cunhado ou qualquer outro membro da família não é uma unidade que meça o teu crescimento académico ou profissional, mas sim o cumprimento de cada objectivo traçado ao longo da vida.

Existem laços familiares que foram cortados definitivamente por conta de um negócio ou de um mal-entendido financeiro. Daí a necessidade de se criar uma cultura de seriedade, responsabilidade e honestidade entre os membros da família, em caso de associação, visando um desenvolvimento em conjunto.

Recomendo que a mentalidade de negócio prevaleça para que exista um ambiente de confiança entre os membros da família associados, com menos manipulações e chantagens emocionais que possam comprometer a convivência familiar e laboral.

Exemplo:

“Ah, eu criei este meu sobrinho. Hoje em dia, ele cobra-me dinheiro como se eu fosse um estranho. Se não fosse pela minha ajuda, hoje não teria este microcrédito. Ele é meu filho, tenho ‘direito’ de levar gratuitamente os medicamentos para o tratamento contra a diabetes.

Posso chegar atrasado ao trabalho porque aquele é meu pai ou é meu tio. Ele pode até falar, mas não fará nada além disso”.

©EUGÉNIO MULHOVO *

*Ministro religioso

Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 27 de Outubro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.

Caso esteja interessado em passar a receber o PDF do Correio da manhã favor ligar para 844101414 ou envie e-mail para correiodamanha@tvcabo.co.mz 

Também pode optar por pedir a edição do seu interesse através de uma mensagem via WhatsApp (84 3085360), enviando, primeiro, por mPesa, para esse mesmo número, 50 meticais.

Gratos pela preferência

Para ver a revista Prestígio de Setembro/Outubro de 2026 clique AQUI

Compartilhe o conhecimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *