O papel do “Homem de Deus” na política activa— EUGÉNIO MULHOVO

Existem duas principais ideologias políticas e económicas: o capitalismo e o comunismo. Esta última não detém um bom histórico no que diz respeito à sua convivência com a religião. Países como a Coreia do Norte e a China são exemplos disso.

Em Moçambique, hoje em dia, muitas “igrejas” tendem a enveredar pela política para garantir a sua sobrevivência como congregações. O mal está em usar a sua influência como líderes religiosos para fazer propaganda política a favor de um partido X ou Y, sem fins de justiça social ou de bem comum.

Pastores que assumem a sua posição política chegam ao ponto de usar o púlpito, que se espera sagrado, para convidar líderes partidos a fazer campanha.

Ser cristão significa seguir os valores e os ideais de Cristo (João 3:3). Daí que, qualquer que seja o partido político que esteja a governar, deve ser aceite pela entidade religiosa, esperando-se que a sua imparcialidade se assemelhe à dos tribunais (Poder Judicial).

Um juiz, mesmo sabendo que uma determinada opção política, ao vencer as eleições, pode comprometer os princípios que regem um determinado ordenamento jurídico (Constituição da República), deve manter a sua imparcialidade. Assim, espera-se o mesmo de uma entidade que se diz religiosa.

Um deputado cristão pode influenciar a política através de leis que garantam a liberdade religiosa, desde que respeite o púlpito sagrado, não o usado para o alcance desses fins.

Todo “Homem de Deus” que esteja na política activa deverá ser exemplo de conduta, incorruptível, pautando-se sempre pelo princípio da justiça social. Pois a palavra diz que onde há trevas, todo cristão é luz do mundo. (Mateus 5:16).

Enfim, pastor, mestre, evangelista, profeta ou mesmo apóstolo de Deus deve ser apartidário no púlpito e partidário como cidadão que tem o direito de eleger e ser eleito, sem ferir os princípios da ética ministerial de Jesus Cristo.

©EUGÉNIO MULHOVO *

*Ministro religioso

Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 16 de Outubro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.

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