Marrocos: uma “potência média estratégica” em consolidação

Um relatório do “grupo de reflexão” norte-americano denominado Stimson Center, sediado em Washington DC, coloca Marrocos entre os Estados mais estratégicos e promissores de África e do mundo árabe, destacando a sua transformação económica, estabilidade política e crescente influência internacional.

Publicado a 15 de Maio deste 2026, o estudo descreve o Reino de Marrocos como uma “potência média estratégica” em consolidação, com capacidade de articulação entre Europa, África e Médio Oriente.

Nas últimas duas décadas, Marrocos deixou de ser visto como uma economia centrada na agricultura e no turismo, passando a afirmar-se como uma plataforma industrial competitiva, um polo logístico relevante e um actor emergente nos sectores energético e tecnológico.

O relatório sublinha o dinamismo de indústrias como a automóvel, aeroespacial, electrónica e de baterias, bem como o papel crescente do país localizado no extremo Norte de África nas cadeias de valor globais.

A proximidade geográfica com a Europa, os acordos de comércio livre e a modernização das infraestruturas têm reforçado a capacidade de atrair investimento estrangeiro, com várias multinacionais a utilizarem Marrocos como base para operações em diferentes regiões.

Na área energética, o Stimson Center destaca a aposta estratégica nas energias renováveis, posicionando Marrocos como líder regional em energia solar, eólica e hidrogénio verde.

O complexo Noor Ouarzazate é apontado como símbolo desta ambição, sustentada por fortes investimentos e parcerias internacionais, com o país a emergir como potencial fornecedor de energia limpa para a Europa. A localização geográfica é identificada como uma vantagem decisiva.

O relatório descreve Marrocos como uma ponte entre continentes e um centro logístico de relevo, destacando o porto de Tânger Med como um dos mais eficientes do Mediterrâneo e de África, fundamental para a integração do país no comércio global.

No plano diplomático, o documento assinala o reforço da presença marroquina em África, através de investimentos, expansão de serviços financeiros e projectos de infraestruturas.

Marrocos é apresentado como parceiro relevante da União Europeia, aliado estratégico dos Estados Unidos da América em matéria de segurança e actor capaz de manter relações equilibradas com diferentes blocos geopolíticos.

Sahara Ocidental

Relativamente ao Sahara Ocidental, o relatório considera que a iniciativa de autonomia proposta pelo reino liderado por Mohammed VI (Maomé VI), que fará 63 anos de idade em Agosto deste ano, tem vindo a ganhar reconhecimento internacional como solução “séria, credível e pragmática”.

O texto destaca o apoio dos Estados Unidos da América e a evolução de posições em vários países europeus e africanos, bem como os investimentos realizados nas “províncias do Sul”, descritas como eixo estratégico de desenvolvimento e ligação à África Atlântica.

O estudo aponta ainda a continuidade das políticas públicas e a estabilidade institucional como factores-chave num contexto regional marcado por instabilidade. Essa consistência tem permitido ao país planear a longo prazo e posicionar-se para beneficiar de transformações económicas globais, incluindo nos sectores de fosfatos, veículos eléctricos e tecnologias limpas.

Com uma população estimada em 38,7 milhões de habitantes, economia avaliada em cerca de 154 mil milhões de dólares norte-americanos (aproximadamente 9.732.800.000.000 MZN) e crescimento projectado acima de 4% em 2026, Marrocos surge, segundo o Stimson Center, como um dos principais candidatos a potência económica e de influência no continente africano e na região do Mediterrâneo nas próximas décadas.

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