Soberania à Gertrudes Tovela

Para se defender da sua incompetência, Gertrudes Tovela, Presidente do Conselho da Administração do Sistema Interbancária de Moçambique (SIMO), gestora da rede única nacional de pagamentos que compreende ATM’s e POS’s, operações com cartões e cartões móveis, indisponíveis de 16 a 21 do Novembro corrente, por clara incompetência dos gestores do SIMO e, em última instância, do Banco Central e do Governo que procuram sacudir a chuva do capote.

Argumentos falaciosos não faltaram na sua tentativa para enganar, até se socorreu do chavão  de que as exigências do fornecedor do software, a BizFirst, punham  em causa a soberania nacional? Consumiu, pagou. Não há nada de soberania.

Tovela, a inventora do chavão de soberania nacional, não responde pela defesa do país. Em Moçambique, a defesa da soberania nacional está bem definida na Constituição. O SIMO paga salário,  acreditamos que seja bem alto, a fim de velar pelo bom funcionamento do sistema, para que tenhamos o nosso dinheiro sempre indisponível, a qualquer momento e a qualquer hora.

Se Tovela quiser se ocupar da soberania nacional, que vá se inscrever no Centro de Preparação Militar de Boane  Munguine, Matalane, Montepuez ou Dondo. Nesses centros de treinos, ela poderá aprender como se defende a soberania. A senhora Tovela enfiou a cabeça na areia, mas, se esqueceu do resto do corpo de fora. Da próxima vez, que procure treinar como se pode esconder para que não seja vista assim com tanta facilidade.

O apagão  do sistema financeiro moçambicano bem poderia ter sido evitado se houvesse a descentralização  da gestão  do SIMO  e o Banco de Moçambique tivesse menos apetite de abocanhar uma actividade dos bancos comerciais, como já vinha acontecendo. Sem respeitar as regras contratuais, o Banco Central impôs-se aos bancos comerciais e o governador do Banco Central foi ao Parlamento dizer que BizFirst  é uma pequena instituição e sem relevância.

Contrariamente às declarações  do governador Rogério  Zandamela, a BizFirst mostrou-se que é muito importante no sistema financeiro nacional. O botão  que imprimiu deixou Moçambique com as calças pelo joelho. O país acumulou enormes prejuízos e não ouvimos nem uma palavra de pedido desculpas do governador do Banco Central. Ficou provado que uma formiga pode derrubar e matar um elefante.

Com arrogância  nada se resolve e as autoridades do sistema bancário nacional mostraram-se muito arrogantes.

Os indivíduos que assinaram o contrato com uma empresa tão pequena quanto diminuta, segundo Zandamela, deveriam ser incriminados por burla aos moçambicanos.

Os bancos comerciais não se deixaram embalar com a música de Zandamela e Tovela. Reuniram-se e juntaram dinheiro para pagar a dívida acumulada de cinco milhões de dólares norte-americanos à BizFirst. Aqui não se trata da questão da soberania de nada. O problema era a dívida.

Estamos habituados a ver os culpados impunes, se forem grandes.

Em Moçambique, os grandes nunca são culpados de nada!

Edwin Hounnou

Este artigo foi publicado em primeira mão na versão PDF do jornal Correio da manhã, edição de 26 de Novembro de 2018 na rubrica semanal MIRADOURO!

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