O país que somos— RAFAEL NAMBALE
Uma conversa necessária!
Há nomes que escolhemos. E há nomes que nos escolhem.
Quando surgiu a ideia de atribuir uma designação a este espaço de reflexão, várias hipóteses foram consideradas. Mas, entre todas elas, uma acabou por se impor pela sua simplicidade, profundidade e significado: O PAÍS QUE SOMOS.
Não o país que gostaríamos de ser.
Não o país que imaginamos nos discursos, nos programas ou nas promessas.
Mas o país que somos.
Porque nenhuma sociedade se transforma verdadeiramente sem primeiro se conhecer. Nenhum povo constrói um futuro sólido sem a coragem de olhar para si mesmo. E nenhuma nação encontra o seu caminho enquanto continuar a fugir das perguntas difíceis.
Quem somos nós?
Somos o país das riquezas naturais e das carências persistentes.
Somos o país da esperança que resiste mesmo diante das dificuldades.
Somos o país da juventude que sonha, mas que muitas vezes encontra portas fechadas.
Somos o país da solidariedade, da resiliência e da capacidade de recomeçar.
Somos também o país das desigualdades, dos desafios institucionais, das oportunidades perdidas e das promessas por cumprir.
Somos tudo isso ao mesmo tempo.
É precisamente dessa complexidade que nasce esta coluna.
O PAÍS QUE SOMOS não pretende ser um tribunal. Não pretende distribuir sentenças nem apontar culpados. Tampouco será um espaço de elogios automáticos ou de críticas vazias.
Será, acima de tudo, um espaço de reflexão.
Um lugar onde possamos pensar juntos sobre os caminhos da nossa sociedade, sobre a educação que temos, a juventude que estamos a formar, o turismo que podemos desenvolver, a economia que desejamos construir, a cidadania que precisamos fortalecer e as instituições que queremos deixar às futuras gerações.
Falaremos de política quando a política influenciar a vida das pessoas.
Falaremos de economia quando a economia afectar a dignidade das famílias.
Falaremos de educação porque dela depende o nosso amanhã.
Falaremos de cultura porque um povo sem memória perde a sua identidade.
Falaremos de turismo porque um país que não valoriza as suas riquezas dificilmente alcança todo o seu potencial.
Mas, acima de tudo, falaremos de pessoas.
Porque os países não são feitos apenas de fronteiras, bandeiras, recursos ou estatísticas.
Os países são feitos de seres humanos.
São feitos de mães que lutam pelos seus filhos, de jovens que procuram oportunidades, de professores que acreditam na transformação pelo conhecimento, de trabalhadores que enfrentam diariamente as dificuldades da vida e de cidadãos que continuam a acreditar que Moçambique pode ser melhor.
Esta coluna nasce com uma convicção simples: os problemas de um país não devem ser escondidos, mas também não devem apagar as suas potencialidades.
Precisamos de olhar para a realidade sem ilusões, mas também sem cinismo.
Precisamos de cultivar o espírito crítico sem perder a esperança.
Precisamos de reconhecer os erros sem desistir dos sonhos.
Porque o futuro não será construído apenas pelos governantes, pelos partidos ou pelas instituições.
O futuro será construído por todos nós.
E talvez o primeiro passo para construir o país que desejamos seja compreender, com honestidade e coragem, o país que somos.
Bem-vindos a esta conversa.
Bem-vindos a O PAÍS QUE SOMOS.
* Colunista e observador político moçambicano
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 29 de Junho de 2026, na rubrica denominada O país que somos.
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