Os impactos da paralização da MOZAL nas exportações

As exportações nacionais de alumínio renderam 371,4 milhões de dólares norte-americanos entre Janeiro e Março deste ano, mantendo-se como principal produto da indústria transformadora nacional, num contexto marcado pelo encerramento da fundição Mozal em Março de 2026.

De acordo com dados obtidos pela Lusa a partir do mais recente relatório do Banco de Moçambique, as receitas com a venda externa de barras de alumínio somaram 371,4 milhões de dólares norte-americanos no primeiro trimestre, confirmando o peso do metal na pauta exportadora e na geração de divisas para o país.
Em 2025, as exportações de barras de alumínio atingiram um máximo histórico de 1.346,9 milhões de dólares norte-americanos, um aumento de quase 20% face aos 1.126,1 milhões de dólares norte-americanos registados em 2024.

O alumínio, totalmente dependente da actividade da Mozal, maior unidade industrial de Moçambique, tem assegurado nos últimos anos receitas anuais na ordem de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos, representando cerca de 30% das exportações nacionais, segundo dados de organizações empresariais.
Relatórios anteriores do banco central indicam que, no primeiro trimestre de 2025, mais de 85% dos 374,2 milhões de euros exportados pela indústria transformadora moçambicana corresponderam a barras de alumínio produzidas na fundição localizada em Beluluane, província de Maputo, Sul de Moçambique.

A Mozal encerrou oficialmente as suas operações a 15 de Março deste ano, entrando em regime de suspensão operacional e manutenção, após o término do contrato de fornecimento de energia elétrica e do impasse nas negociações sobre tarifas consideradas competitivas pela empresa.
O Governo moçambicano já tinha alertado que a fundição representa cerca de 40% da produção industrial da província de Maputo e que a sua paralisação poderá reduzir em até 40% as receitas fiscais daquela região e afectar dezenas de empresas fornecedoras de bens e serviços.

Segundo informações divulgadas pela empresa australiana South32, accionista maioritária da Mozal, o encerramento implica custos únicos estimados em cerca de 60 milhões de dólares norte-americanos, associados ao processo de despedimento colectivo e indemnizações, além de uma despesa anual próxima de 5 milhões de dólares norte-americanos para manter a unidade em regime de conservação.
Antes da suspensão das operações, a produção de alumínio para venda cresceu 13% no ano fiscal terminado em Junho de 2025, para 355 mil toneladas, e as vendas aumentaram 8%, para 351 mil toneladas, com a fundição a operar próximo da capacidade nominal.

As autoridades e economistas têm vindo a alertar que a saída da Mozal poderá agravar a escassez de divisas, dada a contribuição da fundição para cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos de exportações anuais, e afectar o Produto Interno Bruto, o emprego e o rendimento das famílias, devido ao impacto nas cadeias de valor industriais ligadas ao alumínio.
O Governo prevê, contudo, um crescimento de 5,4% na produção industrial em 2026, para 153.950 milhões de meticais, impulsionado pelo setor metalúrgico, com uma projecção de produção de metalurgia de base de 240 mil toneladas, inicialmente calculada com base na continuidade das operações da Mozal até Março deste ano.

©Redactor

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 22 de Junlho de 2026.

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