A mercantilização da fé e a crise do propósito profético — JOÃO RIBEIRO

Ser mensageiro de Deus é ter a coragem de dizer “sim” quando Deus diz “sim”, e “não” quando Deus diz “não”.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Com a Sua omnisciência, o nosso Senhor Jesus Cristo proferiu estas palavras que, infelizmente, continuam a ser ignoradas por muitos. É precisamente por essa falta de conhecimento que vemos hoje uma multidão de pessoas espiritualmente algemadas em diversas áreas da sua vida.

Não é novidade para ninguém a busca desenfreada e a oferta banalizada de “profecias” que tomaram conta de muitas igrejas ultimamente. O povo de Deus tem sido sistematicamente enganado por indivíduos que se autointitulam profetas ou homens de Deus, posicionados em esquinas rotuladas como templos, utilizando a manipulação emocional para desviar da salvação aqueles que deveriam ser guiados a ela.

Estes mercadores da fé usam o conhecimento das mazelas e vulnerabilidades da sociedade actual para obter vantagem sobre aqueles que carecem da verdade libertadora. Dizem exactamente o que a pessoa quer ouvir, falando em nome de um Deus que, na maioria das vezes, nem sequer os reconhece como Seus mensageiros. A esse respeito, a própria Escritura adverte:

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos”. — 2 Timóteo 4:3-4

Uma das verdades que precisa ficar clara para o cristão contemporâneo é a própria definição de profeta: aquele que tem a responsabilidade de comunicar com fidelidade a mensagem divina ao povo. O profeta é apenas um intermediário entre Deus e os homens. Dele não se espera criatividade nem adulação, mas sim fidelidade na transmissão da mensagem.

Os verdadeiros profetas das Escrituras enfrentaram desafios severos nos seus ministérios porque, frequentemente, carregavam da parte de Deus uma mensagem dura e de confronto. Isso os tornava impopulares e até inimigos da nação. Diferente deles, os “profetas” da actualidade são ovacionados, queridos e prestigiados. Essa discrepância revela com clareza a inclinação do povo: a busca desenfreada pelo que podem receber de Deus, em vez da busca sincera por Deus e pela Sua vontade.

O profeta Jeremias é um modelo irrefutável desse sacerdócio genuíno. Mesmo ciente do risco de morte que corria ao denunciar o pecado, ele jamais defraudou a mensagem que recebeu:

“O profeta que tem um sonho, conte o sonho; mas aquele que tem a minha palavra, fale a minha palavra com fidelidade. Pois o que tem a palha com o trigo? (declara o Senhor”). Jeremias 23:28

Ser mensageiro de Deus é ter a coragem de dizer “sim” quando Deus diz “sim”, e “não” quando Deus diz “não”. A sociedade actual necessita urgentemente de homens de Deus como João Batista, que não temeu pregar a verdade mesmo que esta ofendesse o rei Herodes (Mateus 14:3-4), e não daqueles que suavizam o Evangelho em troca da amizade com o mundo (Tiago 4:4).

O povo de Deus precisa voltar às origens e buscar conhecer ao Senhor por meio daquilo que Ele próprio revelou nas Sagradas Escrituras, e não pelo “ouvir dizer” daqueles que se levantam levianamente em Seu nome. Caso contrário, continuaremos a testemunhar a ruína de multidões que, tragicamente, perecem por falta de conhecimento.

“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”. — Oseias 4:6

©JOÃO RIBEIRO

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