A procrastinação e os seus efeitos nefastos na juventude moçambicana — EUGÉNIO MULHOVO
Descansar é muito bom, trabalhar é melhor.
“Desde os tempos da pandemia, em 2020, que tenho prometido a mim mesmo iniciar uma poupança para a aquisição do DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento da Terra). As justificações são diversas. A verdade é que, decorridos mais de cinco anos, espero finalmente começar no ano que se avizinha”.
Muitas pessoas estão nessa situação relativamente aos seus projectos e objectivos. O espírito de deixar tudo para amanhã, que nunca chega, mata sonhos, destrói famílias e contribui para uma juventude frustrada e mais infeliz, propensa, assim, ao consumo de álcool e drogas.
Eu, que escrevo este texto, já fui vítima desse “espírito”. Superei-o com consciência da necessidade de mudança, foco e consistência em todas as minhas actividades. Pois, como alguém já terá dito: “O que podes fazer hoje, não deixes para amanhã”. Cada um é responsável pela sua própria vida. Não existe governo “X” ou “Y” que o fará colher algo que não tenha plantado (Gálatas 6:7).
Outro ditado afirma que “no mundo não existem almoços grátis, pois aqui não é a casa da mãe Joana”, enfatizando a necessidade de trabalhar de forma árdua e consistente para alcançar os nossos sonhos.
A Palavra de Deus ensina-nos que as formigas trabalham de forma organizada, sem preguiça (Provérbios 6:6-10).
Assim, deverá ser o jovem moçambicano, pois o seu país é vulnerável às mudanças da economia global e aos desastres naturais, como cheias, ciclones e secas cíclicas. Por isso, deve fazer o seu máximo para que, quando a “tempestade” vier, o “celeiro” esteja cheio de comida.
O trabalho é proporcional ao sucesso, enquanto o “descanso”, a procrastinação e a preguiça são proporcionais ao fracasso.
Que cada um de nós faça o seu melhor para melhorar as suas condições de vida, as da sua família, do seu bairro e, por fim, as da sociedade em geral.
Jovem, o mundo está à espera dos ousados, e não daqueles que reclamam.
Passar o dia todo em casa, à espera de um milagre, não é compatível com a doutrina cristã, que exalta os sacrifícios e a meritocracia para o alcance do galardão (recompensa), nesta e noutra vida.
©EUGÉNIO MULHOVO *
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 21 de Outubro de 2026, na rubrica de opinião denominada Consciência pública.
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