Sasol incrementa esforços de treino de jovens moçambicanos

A Sasol está a desenvolver programas de bolsas de estudo, formação técnico-profissional e apoio à investigação em Moçambique, com iniciativas que incluem o envio de 10 estudantes para a Malásia e o financiamento de 30 bolsas na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) para jovens de três distritos de Inhambane.

Segundo informações da empresa consultada pelo jornal Redactor, os investimentos abrangem também infra-estruturas de ensino, formação para a empregabilidade e capacitação de jovens das comunidades próximas das suas operações, com destaque para Govuro, Inhassoro e Vilankulo.

Os 10 estudantes seleccionados para a Malásia têm partida prevista para este Outubro, após uma cerimónia de despedida realizada em Setembro, dirigida pela directora nacional de Planificação e Cooperação do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), Marcelina Joel. Três são provenientes de Inhambane e sete de outras províncias.

Desenvolvido em parceria com o MIREME, o programa foi lançado em 2013 e já beneficiou mais de 60 estudantes moçambicanos. O memorando actualmente em vigor prevê a atribuição de 20 bolsas até 2030 para formação na Universidade Tecnológica Petronas, na Malásia.

A selecção decorre através de concurso público conduzido pelo Instituto de Bolsas de Estudo, mediante solicitação do ministério, e considera o mérito académico. O acordo estabelece que metade dos beneficiários deverá ser proveniente de Inhambane e prevê uma meta de participação feminina de 50%.

Os candidatos passam também por preparação em língua inglesa e por um teste internacional de proficiência. Desde 2024, esta preparação é ministrada pelo British Council, em Maputo.

Na UEM, a parceria entre a Sasol e a Faculdade de Engenharia, iniciada em 2016, apoia o Mestrado em Engenharia de Processamento de Hidrocarbonetos, que, segundo os dados apresentados, já formou 61 mestres.

O curso combina formação académica, investigação aplicada e contacto com a indústria, incluindo estágios nas operações da Sasol em Temane e noutras empresas do sector. As dissertações abordam matérias como produção de combustíveis, processamento de gás natural, produção de metanol e eficiência energética.

A empresa financia igualmente a renovação do laboratório de Engenharia de Processamento de Hidrocarbonetos da UEM, num investimento de um milhão de dólares, cuja conclusão está prevista para o final de 2026.

No âmbito dos segundos Acordos de Desenvolvimento Local, a Sasol prevê ainda financiar 30 bolsas na UEM até 2030: 14 para jovens de Inhassoro, 10 de Govuro e seis de Vilankulo, prioritariamente em cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

O programa inclui preparação para os exames de admissão e, para os candidatos seleccionados, cobertura de propinas, taxas académicas, alojamento, materiais de estudo e despesas essenciais.

Separadamente, a empresa mantém um programa de cinco bolsas anuais para licenciaturas em instituições públicas moçambicanas. Lançada em 2024, a iniciativa beneficia actualmente 15 jovens com elevado desempenho académico e dificuldades financeiras, de acordo com a Sasol.

Na formação técnico-profissional, um dos principais investimentos é o Centro de Formação Profissional de Inhassoro, construído e equipado pela Sasol por aproximadamente USD 17,5 milhões.

As instalações foram entregues ao Estado, através do Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC), em Novembro de 2022. A empresa disponibilizou mais USD 1,3 milhões, ao abrigo de um acordo de três anos, para apoiar a operacionalização do centro, incluindo formação de formadores e gestores, aquisição de consumíveis e assistência à gestão.

O centro oferece cursos de Mecânica, Electricidade, Soldadura Industrial, Processos Químicos, Refrigeração e Informática. Em 2024, graduou 95 estudantes, dos quais 14 eram bolseiros das comunidades circunvizinhas. No ano seguinte, foram inscritos 165 formandos, incluindo 20 bolseiros dessas comunidades.

Para ampliar o acesso em zonas remotas, a Sasol entregou ao IFPELAC, em Fevereiro de 2023, uma unidade móvel destinada a servir 37 comunidades de Govuro e Inhassoro. A estrutura oferece cursos de Electricidade, Canalização e Culinária, com capacidade para 48 formandos por trimestre, num total de 192 por ano.

Em 2026, a Sasol patrocinou também um programa de formação prática da Field Ready para 300 jovens de Govuro, Inhassoro e Vilankulo, que se juntam aos mais de 150 anteriormente abrangidos pela parceria.

A formação combina competências técnicas e comportamentais, higiene e segurança no trabalho, inglês e contacto com ambientes profissionais. Os participantes podem ainda aceder a oportunidades de estágio remunerado.

Na investigação, a empresa financiou cerca de 30 projectos ligados à agricultura e à avicultura, envolvendo igual número de estudantes da Escola Superior de Desenvolvimento Rural da UEM e da Universidade Save. O apoio abrangeu ensaios agrícolas e assistência técnica à produção de ovos em aviários comunitários.

“Investir na educação significa ir muito além da construção de escolas e centros de formação”, afirmou a directora-geral da Sasol em Moçambique, Sónia Matsinhe Chembeze, defendendo a criação de condições para os jovens adquirirem competências relevantes para o mercado de trabalho e para o desenvolvimento das suas comunidades.

©Redactor

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