Fiquei com pena das progenitoras dos governantes — REFINALDO CHILENGUE
Quiseram as “pauladas” que volta e meia me apoquentam que decidisse me meter pela Estrada Nacional Número 1 (EN1) adentro, num transporte colectivo de passageiro. Destino: Mashonaland, no vizinho Zimbabwe.
Há uns três anos experimentei o troço Inchope/Gorongosa. Uma vergonha!
Já ouvira falar do lastimoso estado da EN1, mas jamais imaginei que fosse daquele estado. Simplesmente uma pouca vergonha. Aquilo de estrada nacional nada tem. Em algumas secções são picadas e cada automobilista escolhe a que lhe der mais jeito.
A situação é particularmente clamorosa no troço Rio Save–Inchope. Simplesmente expõe de forma crua e nua a fragilidade da gestão das infraestruturas públicas em Moçambique.
Aquela que deveria ser a espinha dorsal da circulação de pessoas e bens transformou-se num corredor de sofrimento, revolta e descrédito institucional.
Viajar por esta via deixou de ser apenas um desafio logístico para se tornar numa experiência de indignação colectiva.
O estado avançado de degradação da estrada, marcado por buracos, poeira e interrupções constantes, não só compromete a segurança rodoviária como penaliza directamente a economia nacional, encarecendo o transporte e atrasando cadeias de abastecimento.
Mais grave ainda é o sentimento de abandono manifestado pelos utentes, que já não escondem a sua frustração perante promessas recorrentes de reabilitação que nunca se concretizam.
As injúrias proferidas durante o percurso não são mero desabafo vulgar, mas antes um sintoma claro de perda de confiança nas instituições e nos dirigentes. Em algum momento fiquei com pena das progenitoras dos que dizem estar a governar este país, ao ouvir os repetidos impropérios proferidos por muitos dos meus companheiros de ocasião… A ofensas a elas eram repetidas quase a cada solavanco dado pelo veículo.
A EN1 não é apenas uma estrada: é um símbolo da unidade territorial e do funcionamento do Estado. O seu estado lastimoso revela uma desconexão preocupante entre o discurso político e a realidade vivida pelos cidadãos. Cada quilómetro degradado é uma prova de falhas na planificação, execução e fiscalização das obras públicas.
Persistir neste cenário é comprometer não só a mobilidade, mas também a credibilidade governativa e o próprio projecto de desenvolvimento e da constantemente apregoada “unidade nacional”.
Os motoristas que fazem regularmente aquele itinerário são verdadeiros heróis anónimos!
A reabilitação efectiva da EN1 deixou de ser uma opção técnica — é uma urgência política e moral!
A MINTHIRU IVULA VULA KUTLHULA MARITO! Os actos valem mais que as palavras! Digo/escrevo isto porque ainda creio que, como em anteriores desafios, Moçambique triunfará e permanecerá, eternamente.
©REFINALDO CHILENGUE
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 17 de Julho de 2026, na rubrica TIKU 15.
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