Presidente da RENAMO reconhece tensões internas e …

O presidente da RENAMO reconheceu a existência de tensões internas e apelou à reconciliação entre os membros do partido, defendendo que as divergências devem ser resolvidas através do diálogo e do respeito pelos estatutos, sem recurso à injúria ou à exclusão.

“Reconheço que vivemos tempos de tensão interna. Reconheço que existem mágoas, ambições e leituras diferentes sobre o rumo do partido”, afirmou, hoje, no discurso de abertura da III Sessão Ordinária do Conselho Nacional da formação política moçambicana.

O dirigente considerou que a diversidade de opiniões constitui uma expressão de maturidade democrática, mas advertiu contra a transformação das diferenças em conflitos internos.

“O que não pode existir é a divergência que se transforma em ruptura, a crítica que se transforma em injúria e o debate que se transforma em guerra interna”, declarou perante os conselheiros, reunidos para dois dias de trabalhos.

Na intervenção, sustentou que a unidade partidária não pode ser construída pelo silêncio, pela exclusão, pela agressividade ou pelo receio de expressar opiniões divergentes, mas pela confiança e pela procura de soluções colectivas.

O presidente da RENAMO apelou ao respeito pelos órgãos, pelos símbolos partidários e pela opinião dos outros membros, sublinhando que as decisões devem ser tomadas nas estruturas competentes e cumpridas com disciplina.

“Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo. É meu colega do partido com outra perspectiva”, afirmou, acrescentando que a bandeira, o hino e a identidade da organização não pertencem a qualquer indivíduo, facção ou geração.

Numa mensagem marcada por referências à história do partido, o dirigente evocou André Matsangaíssa e Afonso Dhlakama para defender que a sobrevivência da RENAMO assenta num compromisso colectivo, e não numa liderança individual.

“Os cargos passam, mas a instituição prevalece. Nós somos passageiros e a RENAMO é herança”, declarou.

O dirigente pediu aos membros que coloquem o interesse do povo moçambicano acima das disputas internas, considerando que a reconciliação defendida para o país deve começar dentro do próprio partido.

“A reconciliação de que falamos para o país deve começar na reconciliação dentro de casa. Um partido que prega a paz tem de a praticar primeiro entre os seus”, afirmou.

Na mesma intervenção, alertou para o papel das redes sociais no agravamento das divisões internas, criticando o insulto anónimo e a exposição de membros a julgamentos públicos antes de serem ouvidos pelos órgãos competentes.

O presidente da RENAMO lançou três desafios ao Conselho Nacional: combater a desinformação, assegurar uma presença digital assente no respeito pela dignidade e promover uma utilização responsável das novas tecnologias.

“Que a RENAMO seja reconhecida como uma força que não fabrica, não partilha e não tolera a desinformação, nem mesmo quando ela parece servir-nos”, defendeu.

O dirigente propôs ainda uma reflexão sobre a regulação e utilização da inteligência artificial e das plataformas digitais, destacando a protecção de dados pessoais, a transparência dos algoritmos, a integridade eleitoral e o acesso à tecnologia pelos jovens e pelas comunidades rurais.

“Que a geração que viveu nas matas dialogue com a geração que vive nas redes, porque a primeira tem a memória e a segunda tem as ferramentas, e o futuro exige as duas”, concluiu.

©Redactor

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