Uma questão pertinente — REFINALDO CHILENGUE

O anúncio de um novo Sistema de Transporte Rápido Autónomo (ART) para a Área Metropolitana de Maputo surge, mais uma vez, envolto em promessas ambiciosas — e num déjà vu que os cidadãos conhecem bem. Ao longo dos anos, sucessivos projectos estruturantes para a mobilidade urbana foram apresentados com igual entusiasmo, mas poucos saíram do papel ou tiveram impacto duradouro.

Desta vez, o Governo moçambicano propõe uma parceria com o sector privado para implementar uma linha de cerca de 30 quilómetros, ligando Maputo, Matola e Boane. A iniciativa consta de um edital lançado pelo Ministério dos Transportes e Logística e pela Agência Metropolitana de Transportes de Maputo [vide matéria de destaque da versão PDF da edição do jornal Redactor desta quarta-feira, dia 20 de maio de 2026], que visa selecionar uma empresa para assistência técnica no processo de contratação da entidade responsável pela concepção, construção e operação do sistema ART.

O modelo prevê que a futura concessionária trate de praticamente todas as fases do projecto — desde o desenho técnico e fornecimento de equipamentos até à construção das infraestruturas e operação inicial, a ser posteriormente transferida ao Estado. No papel, trata-se de uma solução moderna e integrada, inspirada em sistemas híbridos que combinam características de metro de superfície e autocarros articulados.

No entanto, o histórico recente levanta dúvidas legítimas sobre a viabilidade e, sobretudo, a execução efectiva desta proposta. Projectos anteriores, como o próprio metro de superfície e sistemas BRT anunciados em diferentes momentos, têm enfrentado atrasos crónicos, falta de financiamento claro ou simplesmente desapareceram da agenda pública sem explicações consistentes.

A insistência em anunciar soluções integradas contrasta com a realidade no terreno, marcada por transportes superlotados, longos tempos de espera nas paragens, humilhações infligidas aos cidadãos pelos chapeiros e custos crescentes, agravados pela recente subida dos preços dos combustíveis.

Assim, é pertinente levar a seguintes questão: será este o ponto de viragem na mobilidade urbana de Maputo ou apenas mais um capítulo numa longa lista de promessas adiadas?

©REFINALDO CHILENGUE

Este artigo foi publicado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 20 de Maio de 2026, na rubrica EDITORIAL.

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