Crise de combustível abre espaço à fraude e penaliza moto-taxistas

A escassez de combustível na cidade de Nampula, Norte de Moçambique, está a impulsionar o surgimento de um mercado paralelo cada vez mais sofisticado e agressivo.

Moto-taxistas denunciam a comercialização de combustível adulterado, prática que, segundo afirmam, está a comprometer seriamente os seus meios de trabalho.

Perante a falta de combustível nos postos de abastecimento formais, os operadores de moto-táxi veem-se sem alternativas, recorrendo ao mercado informal para garantir a continuidade da sua actividade.

No entanto, o produto adquirido apresenta, frequentemente, qualidade duvidosa. Em muitos casos, trata-se de combustível adulterado, com adição de água ou outras substâncias, o que provoca avarias nos motociclos, reduz o desempenho dos motores e eleva significativamente os custos de manutenção.

“Estamos a sofrer muito. Conseguir um litro já é difícil; quando conseguimos, é caro e, ainda por cima, danifica a moto”, relatou Lourenço Marques, moto-taxista, visivelmente frustrado.

No circuito informal, o litro de gasolina, que nos canais oficiais não ultrapassa os 100 meticais, pode atingir cerca de 150 meticais, comprimindo drasticamente as margens de rendimento dos operadores.

Perante o aumento dos custos operacionais, os moto-taxistas foram forçados a rever em alta as tarifas. A medida, porém, tem sido mal recebida pelos clientes, também eles confrontados com a escalada generalizada do custo de vida, num contexto de encarecimento em cadeia de bens essenciais.

“Já não conseguimos fazer sequer 500 meticais por dia. Os clientes reclamam dos preços, mas desconhecem as dificuldades que enfrentamos. Muitos optam por caminhar”, lamentou outro operador.

Para além dos prejuízos económicos, avolumam-se as preocupações com a segurança. O uso de combustível adulterado pode originar falhas mecânicas súbitas, colocando em risco a integridade física de condutores e passageiros.

Larson Ricardo

Larson Ricardo, igualmente moto-taxista, considera a situação crítica e defende uma intervenção urgente das autoridades: “Estamos a comprar combustível sem conhecer a sua origem. Depois, pagamos caro com avarias constantes. Isto não pode continuar. É necessária uma fiscalização rigorosa”, advertiu.

Os operadores apelam à acção imediata das entidades competentes para travar o comércio ilegal e assegurar a qualidade do combustível. Enquanto tal não se verifica, a crise continua a empurrar centenas de moto-taxistas para um ciclo de prejuízo, incerteza e sobrevivência diária nas ruas de Nampula.

Importa sublinhar que a actividade de moto-táxi, já marcada por riscos associados a criminalidade — incluindo roubos, raptos e homicídios de operadores — enfrenta agora um novo desafio: a carestia de combustíveis, frequentemente agravada pela sua adulteração.

Inicialmente mais expressiva nas regiões Centro e Norte de Moçambique, a actividade de moto-táxi tem vindo a expandir-se para o Sul do país, impulsionada pela insuficiência estrutural da rede de transporte público de passageiros.

©ELINA ECIATE (texto e fotos)

Este artigo intitulado foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 12 de Junho de 2026.

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